Balsemão: “Este livro não é, nem pretende ser, um ajuste de contas”

A apresentação do livro de 962 páginas, onde o patrão do “Expresso” e da SIC, conhecido jornalista, empresário e político relata as suas Memórias, coube a Luís Marques Mendes e Clara Ferreira Alves. “Devemos agradecer às pessoas que nos fazem felizes”, disse Balsemão, citando Proust.

Cristina Bernardo

Foi numa plateia de cerca de 300 pessoas que Francisco Pinto Balsemão apresentou o seu livro “Memórias” na Estufa Fria (Parque Eduardo VII), em Lisboa, toda ela repleta de notáveis gestores, empresários, políticos e jornalistas. Não faltaram os presidentes dos maiores bancos, o presidente da Altice, vários políticos gestores, escritores, jornalistas.

A apresentação do livro de 962 páginas, onde o patrão do “Expresso” e da SIC, conhecido jornalista, empresário e político relata as suas memórias, coube a duas pessoas ligadas ao grupo Impresa. Uma delas foi a jornalista Clara Ferreira Alves, que optou por invocar a importância da lealdade, para explicar por que não abandonou o semanário quando nasceu o jornal “Público”, nos idos anos 90, mas também que contou as histórias de como Balsemão era o primeiro a realçar a importância de um tema para ser tratado no jornal.

Depois, foi a vez de Luís Marques Mendes, que partilha com Balsemão a ideologia política, já que ambos são do PSD. O conhecido comentador da SIC elogiou a importância do livro de memórias do fundador do jornal “Expresso”, e da sua importância para a democracia.

O “empresário com alma de jornalista” viu relatados episódios da sua vida no Expresso, que nem o próprio se lembrava, como depois reconheceu.

“Tantos elogios estão a transformar esta Estufa Fria numa estufa quente”, disse Balsemão no seu discurso.

Aos elogios, Balsemão respondeu com uma frase de Marcel Proust: “devíamos ser gratos a todos aqueles que nos fazem felizes, eles são os jardineiros que fazem a nossa alma florescer”.

Nos agradecimentos vários, destacou a sua mulher Mercedes Pinto Balsemão (Tita).

“Este livro não é, nem pretende ser um ajuste de contas”, frisou o autor. “Não estive décadas a acumular rancores para aos 84 anos servir bem frias uma ou mais vinganças”, disse o dono do Expresso que, logo a seguir acrescentou: “Não esqueço facilmente o mal que me fazem, mas sou perdulário a perdoar”.

“Este livro não é, ou tenta não ser um auto-elogio”, disse ainda Francisco Pinto Balsemão.

O empresário disse que o livro pretende, “através da descrição da vida do seu autor, esclarecer os tempos regentes da nossa história e simultaneamente pôr os pontos nos i’s acerca de factos e situações que permaneceram nublosas”.

“A história é construída através de factos concretos e da apreciação que se faz da relevância de cada um deles”, salientou.

Balsemão defendeu ainda, no seu discurso, a importância dos meios de comunicação social e das respetivas regras deontológicas, referindo-se à “desinformação” que paira na internet. O empresário invocou ainda a importância de travar a luta contra a meritocracia.

O livro “Memórias”, que foi editado pela Porto Editora e já vai na segunda edição, traça o relato na primeira pessoa dos acontecimentos políticos e sociais em Portugal desde o fim do Estado Novo até aos dias de hoje.

Como escreveu um dia Agustina Bessa Luís, “as Memórias Procriam como se Fossem Pessoas Vivas”.

Em jeito de conclusão, Francisco Pinto Balsemão diz no último capítulo que quer “deixar o mundo um pouco melhor” com a sua obra.

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