Banco central baixa previsão sobre queda da economia brasileira para 5%

As novas estimativas estão em linha com as projeções de agentes do mercado consultados semanalmente pelo Banco Central, que prevê uma retração económica de 5,05% no PIB brasileiro em 2020. O Brasil ainda recupera de uma grave recessão entre os anos de 2015 e 2016, período em que o PIB caiu sete pontos percentuais.

Brasil

O Banco Central do Brasil reduziu esta quinta-feira a sua projeção sobre a contração do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que passou de 6,4% para 5%, ao mesmo tempo em que elevou a projeção de inflação para este ano de 1,9% para 2,1%.

As novas projeções foram apresentadas no Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, que destacou que a atividade económica do país apresentou uma “recuperação parcial” após meses de paralisação dos setores produtivos em razão da pandemia de covid-19.

O órgão do Governo brasileiro avaliou que o país se recupera “relativamente mais rápido que os demais países emergentes”.

O relatório que traz as novas projeções justificou que as medidas governamentais de combate aos impactos económicos da pandemia e a retomada gradual dos níveis de consumo vigentes antes do período de isolamento social explicam a melhoria do cenário económico brasileiro.

As novas estimativas estão em linha com as projeções de agentes do mercado consultados semanalmente pelo Banco Central, que prevê uma retração económica de 5,05% no PIB brasileiro em 2020.

O Banco Central reconheceu, porém, que a incerteza quanto ao ritmo de recuperação do país ficará “acima do usual” no último trimestre do ano, em grande parte devido ao fim da ajuda económica concedida a milhões de brasileiros que perderam rendimento na tentativa de mitigar os efeitos da crise económica que acompanhou a pandemia.

Em relação à inflação, o Banco Central brasileiro reviu em alta as suas projeções, que passaram de 1,9% ao ano, no relatório anterior divulgado em junho, para 2,1% no relatório divulgado na quinta-feira.

Apesar da revisão, a nova projeção continua bem abaixo da meta de 4% estabelecida pelo Governo para 2020.

Para 2021, o Banco Central brasileiro prevê um crescimento de 3,9% no PIB, projeção que está condicionada à continuidade das reformas económicas e à manutenção do ajuste fiscal para equilibrar as contas públicas. A inflação deve encerrar 2021 com um crescimento de 3%.

O Brasil ainda se recupera de uma grave recessão entre os anos de 2015 e 2016, período em que o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu sete pontos percentuais.

No último ano, o PIB brasileiro cresceu 1,1%, taxa inferior a expansão de 1,3% registada nos anos de 2017 e 2018.

O surgimento da covid-19 frustrou as expetativas de crescimento projetadas para a maior economia da América do Sul neste, quando se esperava um crescimento de 2,5%.

Nos dois primeiros trimestres de 2020, o Brasil entrou em recessão técnica, registando uma queda do PIB de 1,5% entre janeiro em março e uma retração de 9,7% entre abril e junho.

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