Banco de Cabo Verde afirma que sistema financeiro do país continua vulnerável

O banco central cabo-verdiano afirma que os resultados dos ‘stress tests’ confirmam a elevada vulnerabilidade do sistema bancário nacional à materialização do risco de crédito.

O sistema financeiro cabo-verdiano, em particular o bancário, continua ainda a padecer de um conjunto de vulnerabilidades suscetíveis de condicionar a robustez das instituições e de induzir à materialização de riscos para a estabilidade financeira, alerta o Banco de Cabo Verde (BCV).

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira de 2018, divulgado esta quinta-feira pelo banco central, em termos globais – e comparativamente a 2017 –, houve uma ligeira melhoria nos fatores de estabilidade relacionada com o ambiente macroeconómico e financeiro, com a situação financeira de empresas particulares e com o sistema de pagamentos.

Em relação aos resultados do ano transato, observou-se no ano passado um ligeiro agravamento da vulnerabilidade das instituições face à materialização dos riscos. O documento revela que a manutenção dos níveis de risco relacionados com a gestão das instituições, a estrutura do sistema bancário, o mercado de valores mobiliários e o contágio entre as instituições financeiras registaram também uma ligeira melhoria e que se verificou um aumento da exposição do sistema financeiro nacional a riscos relacionados com a solvabilidade e o desempenho das instituições.

“O sistema financeiro nacional, em particular o bancário, continua ainda a padecer de um conjunto de vulnerabilidades suscetíveis de condicionar a robustez das instituições e de induzir à materialização de riscos para a estabilidade financeira, como sejam o nível de crédito vencido ainda em patamar considerado elevado, a concentração do crédito num número limitado de contrapartes, o considerável nível de stock de bens recebidos em dação e a concentração do funding face aos cinco maiores depositantes”, apontou o relatório.

De acordo com o BCV, os resultados dos stress tests confirmam a elevada vulnerabilidade do sistema bancário nacional à materialização do risco de crédito, sobretudo, no que se refere à grande concentração da carteira, num contexto de moderada exposição face ao risco de liquidez e de relativamente baixa exposição do balanço dos bancos aos riscos de taxa de juro e de taxa de câmbio.

O documento indica ainda que a economia nacional registou um crescimento em volume de 5,1% depois de ter registado, em 2017, um abrandamento de 4,7 para 3,7%, favorecendo a atividade financeira nacional, em particular a bancária, que em 2018 registou um conjunto de desenvolvimentos positivos.

Para o regulador da banca cabo-verdiana, alguns dos domínios do setor bancário desaceleraram, pelo segundo ano consecutivo, do crescimento do funding do sistema bancário nacional, refletindo, sobretudo, o menor ritmo de constituição de depósitos e, em menor medida, a redução do financiamento das atividades bancárias através do recurso a instituições de crédito e a obrigações subordinadas.

“O sistema de pagamentos funcionou de forma contínua e sem interrupções significativas, tendo sido realizados importantes investimentos no sentido do aumento da fiabilidade e da segurança do sistema”, pode ler-se no Relatório de Estabilidade Financeira de 2018.

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