Estrangeiros contribuíram em dois terços para crescimento da população ativa em Portugal

Banco central português dá conta de que os fluxos migratórios permitiram suportar o crescimento populacional, apesar de o saldo natural ser sistematicamente negativo.

O boletim económico do Banco de Portugal, revelado esta quarta-feira indica que os cidadãos estrangeiros contribuíram em dois terços para o crescimento da população ativa em Portugal em 2018. O Banco central português dá conta de que os fluxos migratórios permitiram suportar o crescimento populacional do país, apesar de o saldo natural ser sistematicamente negativo.

O Banco de Portugal considera que o crescimento demográfico em Portugal foi “muito moderado (cerca de 1,5%) e dos mais baixos da União Europeia (UE)”, nas duas últimas décadas. A população da UE cresceu, em média, 5,5%, sendo que, de acordo com o relatório, “os fluxos migratórios contribuíram para cerca de quatro quintos dessa taxa”.

No caso de Portugal, o saldo migratório contribuiu em cerca de 2,5 pontos percentuais para o crescimento de 1,5% da população entre 1998 e 2018, “não obstante os saldos negativos registados entre 2011 e 2016”. “No entanto, dada a sua sensibilidade ao ciclo económico, o saldo migratório tornou-se negativo em 2011 e só voltou a ser positivo nos dois últimos anos”, lê-se no relatório.

“A recuperação mais recente dos fluxos migratórios, em linha com o ciclo económico, refletiu a conjugação da redução do número de emigrantes permanentes com um aumento do número de imigrantes permanentes”, afirma o Banco de Portugal.

Em termos de imigração, os escalões entre os 15 e os 54 anos são a faixa etária predominante, embora, nos últimos três anos, os imigrantes mais jovens e os indivíduos com mais de 55 anos tenham vindo a ganhar importância. A contribuir para esta tendência esteve o Regime Fiscal para o Residente Não Habitual em sede de IRS, instituído em 2009, com o objetivo de atrair profissionais qualificados, bem como beneficiários de pensões obtidas no estrangeiro.

O Banco de Portugal nota ainda que “o mercado de trabalho português enfrenta o triplo desafio das alterações demográficas, do progresso tecnológico e da globalização”.

“A redução da população em idade ativa e o aumento da idade média da população reforçam a importância do aumento da taxa de atividade e do emprego, em particular nos escalões etários mais elevados. Uma percentagem maior de indivíduos vinculados ao mercado de trabalho é um importante contributo para o crescimento do produto e do PIB per capita e para a redução do índice de dependência de idosos”, nota o relatório.

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