Banco Montepio adia apresentação de resultados anuais para abril

O Banco Montepio vai adiar a apresentação de resultados anuais para abril, sabe o Jornal Económico. Também a fusão do Finibanco Angola com o BNI ficou adiada sine die.

Cristina Bernardo

O Banco Montepio não vai apresentar contas anuais até ao fim de março, como era habitual. À boleia das medidas excecionais e temporárias adotadas pelo Governo Português, e vertidas no Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, entre elas o alargamento dos prazos de realização de assembleias gerais das sociedades comerciais até 30 de junho de 2020, o banco liderado por Pedro Leitão e Carlos Tavares vai adiar a apresentação das contas de 2019.

No atual contexto decorrente do impacto do novo Coronavírus, a aprovação de contas em AG passou a ter o limite de 30 de junho, e a publicação das contas através da CMVM passou a ter como data limite o fim de abril.

O Banco Montepio vai aproveitar esta flexibilização legal para apresentar os seus resultados anuais mais tarde, confirmou o Jornal Económico junto de fonte do banco.

Esta é a segunda instituição do grupo Montepio a adiar a apresentação de contas de 2019.

A última reunião do conselho geral da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) terminou sem que os conselheiros tivessem tido sequer oportunidade de avaliar as contas individuais da instituição relativas a 2019.

No atraso do fecho de contas da Mutualista dona do banco, está o facto de a auditora PwC querer avaliar o banco pelos múltiplos do mercado, e a administração da Associação não concordar, porque sendo um banco da economia social “não está disponível para venda”. O price to book-value do mercado aplicado ao Banco Montepio baixa muito o seu valor no balanço da AMMG.

A PwC é também a auditora do Banco Montepio.

As contas individuais  da AMMG de 2019 terão de trazer já o justo valor, que na óptica da PwC, o Banco Montepio e a Montepio Seguros devem ter no balanço da Mutualista. Essa é a questão mais sensível nas contas. Em 2018, manteve-se o valor da participação no Banco Montepio em 1.878 milhões de euros, correspondente a um valor bruto de investimento de 2.376 milhões, ao qual está associada uma imparidade de 498 milhões, constituída nos anos anteriores, decorrente do período de crise.

A assembleia geral de associados que iria aprovar as contas também foi adiada. Esta reunião anual deveria ocorrer até final do mês de março, com obrigatoriedade de ser convocada com 15 dias de antecedência. Mas por causa do surto do coronavírus — que obriga a contenção na realização de eventos de grandes aglomerações — vai ser adiada para abril ou maio.

 

Fusão do Finibanco Angola  com o BNI em águas de bacalhau

Outra operação que ficou adiada sem data para conclusão foi a venda do Finibanco Angola ao BNI .  O Banco de Negócios Internacional de Mário Palhares, em Angola, foi anunciado como promitente comprador do Finibanco Angola em maio de 2019.

A 10 de maio do ano passado, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Montepio Holding, participada do Banco Montepio, indicou ter iniciado negociações para a fusão entre o Finibanco Angola e o Banco de Negócios Internacional (Angola). O banco informou que a sua participada Montepio Holding SGPS, iniciou as negociações com os acionistas do Banco de Negócios Internacional (Angola) com vista a uma fusão entre o Finibanco Angola e o Banco de Negócios Internacional”. De acordo com a informação enviada na altura ao mercado, “é intenção das partes atrair a participação de parceiros estratégicos internacionais para esta operação”, de modo a contribuir para a “consolidação, reforço e abertura do sistema bancário e financeiro angolano”.

O desenvolvimento e conclusão das negociações estavam dependentes da tramitação necessária junto dos acionistas e das autoridades angolanas e, ainda, dos resultados do programa de avaliação de qualidade de ativos do sistema bancário angolano que decorre atualmente em Angola.

Mas até hoje não houve desenvolvimentos. O Luanda Leaks e agora a crise da pandemia do coronavírus, deixaram a a operação parada.

A conclusão deste processo faria com que o Grupo Banco Montepio cumprisse o objetivo estratégico já anunciado de não consolidação da sua participação no Finibanco Angola.

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