Bankinter estima que PIB português pode cair 5,6% em 2020

Paralização do turismo por tempo superior ao inicialmente previsto e queda da economia mais severa no final de março e em abril pesaram na revisão em baixa do Bankinter Portugal sobre o desempenho económico de Portugal em 2020.

O Bankinter Portugal reviu em baixa as estimativas sobre o crescimento da economia nacional e, “com base no desenvolvimento do surto e na maior visibilidade sobre a reabertura (faseada) da economia”, o novo cenário base aponta para uma contração do PIB em 2020 de 5,6%, antes de uma recuperação de 4,7% em 2021.

As anteriores projeções do Bankinter, realizadas a 31 de março de 2020, apontavam para uma queda do PIB de 2,7% para este ano e uma recuperação de 3% em 2021.

Na nota de research do Bankinter, à qual o JE teve acesso, a revisão em baixa do PIB deve-se, essencialmente, a dois fatores. O departamento de análise financeira do Bankinter aponta a “perspetiva de paralisação da atividade turística durante mais tempo do que o previsto inicialmente” como um fator preponderante na queda do PIB agora projetada, sendo que o turismo representa cerca de 12% de toda a produção económica criada em Portugal.

Outro fator que pesou na revisão em baixa do PIB consistiu na “contração económica mais severa no período crítico de final de março e abril, tendo em conta os indicadores económicos já avançados”. O Bankinter estima uma queda do PIB na ordem dos 15% no segundo trimestre, período a partir do qual o banco antecipa “uma recuperação forte do crescimento em cadeia”.

Num cenário mais pessimista, o Bankinter projeta uma queda do PIB em 2020 de 8,5% devido à “retoma lenta da atividade económica doméstica e uma paralisação ainda mais prolongada do turismo”. Neste cenário, o PIB recupera 5,9% em 2021.

Num cenário otimista, a queda do PIB em 2020 será de 2,7%, seguida de uma recuperação de 3% em 2021.

Dívida pública é “algo menos grave do parece”

O Bankinter destaca o programa de compras do Banco Central Europeu que “poderá abranger a totalidade das necessidades de financiamento do país este ano para responder aos efeitos da pandemia da Covid-19” e que suporta o ponto de partida de Portugal para fazer face a esta crise, com um excedente orçamental de 0,2% em 2019 e com um nível de juros “suportável”, uma vez que as yields das obrigações do tesouro a dez anos rondam os 1%.

“Estas variáveis tornam assim o problema do elevado stock de Dívida Pública, que estimamos que alcance 130% do PIB em 2020, algo menos grave do que parece”, realça o departamento de análise financeira do Bankinter.

Ao nível da taxa de desemprego, o Bankinter projeta que em 2020 alcance os 10,5%, um aumento face à taxa de desemprego de 6,7% registada no final de 2019. Em 2021, a taxa de desemprego deverá recuar para 9,5%.

“Apesar de podermos assistir a um aumento consideravelmente superior no segundo trimestre, é expectável que grande parte dos postos de trabalho perdidos venham a ser recuperados na segunda metade do ano, perante a retoma da procura. Ou seja, ao contrário de crises anteriores, não prevemos um aumento significativo do nível de desemprego estrutural”, concluiu a nota de research.

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