BBVA ganha 2.649 milhões de euros no primeiro semestre

Os resultados semestrais superam em 15% o resultado obtido no primeiro semestre do ano passado, graças à diminuição de provisões para crédito, fruto de uma melhoria da qualidade da carteira de crédito.

Susana Vera/Reuters

O Grupo BBVA obteve, entre janeiro e junho de 2018, um lucro atribuído de 2.649 milhões de euros, 14,9% acima do mesmo período de 2017 (+ 29,5% em termos recorrentes). “A solidez do resultado recorrente, a contenção das despesas operacionais e as menores imparidades e provisões são as principais razões para esse crescimento”, diz o banco espanhol.

O responsável executivo do BBVA, Carlos Torres Vila, diz no comunicado que “graças aos avanços na transformação do banco, as receitas recorrentes crescem fortemente no semestre. Este é um trimestre muito bom, com uma melhoria significativa na rentabilidade e na criação de valor para os nossos acionistas”.

O ROE (rentabilidade dos capitais próprios) ascendeu a 11,7%, enquanto que o ROTE (Return on tangible equity) ou a rentabilidade dos capitais core, alcança os 14,3%.

O banco que em Portugal está prestes a passar a sucursal, explica que a margem financeira atingiu os 8.643 milhões de euros (-1,8% num ano, + 9,4% expurgando as variações cambiais). As comissões cresceram 1,5% num ano (+ 11,3% excluindo o efeito das moedas).

A soma das duas linhas – receita corrente – registou um crescimento, atingindo os  11.135 milhões de euros (-1,1% face ao semestre homólogo de 2017, + 9,8% em termos recorrentes) no primeiro semestre do ano. “Este item foi o principal catalisador para a evolução da margem bruta que, entre janeiro e junho, atingiu os 12.074 milhões de euros (-5,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, + 4,8% excluindo o impacto da moedas).

Todas as linhas da demonstração de resultados estão em baixa, mas o lucro aumenta devido à menor necessidade de provisões em face da melhoria do crédito em incumprimento. O banco foi afetado pela queda do valor das moedas com as quais trabalha no câmbio face ao euro. Sem essa variável, as margens teriam subido.

O BBVA diz que a disciplina de custos “continuou a dar frutos e as despesas operacionais diminuíram -5,8% em termos homólogos (+ 2,9% em termos constantes) durante o semestre. Todas as geografias geraram variações positivas no rácio dos custo versus receitas (variação da receita recorrente maior que a das despesas). O rácio de eficiência situou-se em 49,2%, 82 pontos base abaixo do valor de 2017 a taxas de câmbio constantes.

O BBVA apresenta em termos consolidados um rácio de crédito em mora (malparado) no final de junho é de 4,4%, e com uma cobertura por provisões de 71%.

Em termos de capital o rácio proforma CET1, na versão fully loaded, ficou em 11,40% no final de junho, incluindo a verba da venda do BBVA Chile (encerrada em julho) e o acordo com o Cerberus para reduzir a exposição ao negócio imobiliário.

Quanto aos países, o México já responde por 37,3% do lucro, lucrando 1.208 milhões, 21% a mais do que no mesmo período do ano passado. Segue-se Espanha, com 793 milhões, 23% do total, que viu os lucros subirem 19% num ano, em terceiro lugar são os países da América do Sul, com 452 milhões de euros de lucros, 30% a mais, e representam 14% do total.

Nos Estados Unidos o BBVA obteve 387 milhões, 36% a mais que no primeiro semestre de 2017, e seu peso no lucros consolidados é de 14%. A subsidiária na Turquia ganhou 373 milhões, uma queda de 0,2%, e seu peso cai para 11,5%.

O banco anuncia que em junho  contava com 25,1 milhões de clientes digitais (mais 26% que em igual período de 2017). Dos quais:  20,7 milhões são clientes móveis (+43% interanual).

“As vendas digitais aumentaram no semestre e representam  39% do total de unidades vendidas. Tudo isto contribuiu para a força dos resultados no negócio bancário, com uma eficiência que se situa em 49,2%”, diz o BBVA.

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