BCE começará em janeiro a discutir subida dos juros, diz governador holandês

Os comentários surgem numa altura em que os mercados começam a fazer apostas sobre a data para o início da trajetória das taxas de juros. O plano atual do BCE indica irão permanecer em mínimos históricos pelo menos até ao verão de 2019.

Bancos Centrais

O Banco Central Europeu (BCE) poderá começar a discutir, em janeiro, uma subida das taxas de juro de referência na zona euro e acelerar a normalização da política monetária, segundo o governador do banco central da Holanda. Em entrevista ao jornal alemão “Boersen-Zeitung”, Klaas Knot explicou que o processo está dependente da evolução da economia, mas admitiu que há riscos.

“Se o nosso cenário base se confirmar nos próximos meses, poderemos pensar novamente sobre o ritmo da normalização e não ter que esperar muito”, disse Knot. “Tudo dependerá de como a economia se desenvolver”.

Os comentários do holandês surgem numa altura em que os mercados começam a fazer apostas sobre a data para o início da trajetória das taxas de juros. O plano atual do BCE indica que as taxas de juro irão permanecer em mínimos históricos pelo menos até ao verão de 2019.

Vários membros do Conselho do BCE já sinalizaram a necessidade de a instituição comunicar mais sobre o ritmo de aumentos para evitar agitar os mercados o fim dos estímulos monetários. As compras líquidas no âmbito do programa de compra de títulos do BCE chegam ao fim em dezembro e, depois disso, as expetativas aumentam sobre o que vai acontecer aos juros.

“A partir de janeiro, poderemos enfatizar mais o que tem de ser feito sobre as taxas de juros”, disse Knot, apontando para a importância de delinear um caminho, mais do que uma data. O governador do banco central holandês afirmou que a segunda subida das taxas “é provável tão ou mais importante” que a primeira, pois “pode ​​criar a impressão de um padrão”.

Relacionadas

Juros soberanos disparam com palavras de Draghi ao Parlamento Europeu

Mario Draghi disse que vê uma recuperação “relativamente vigorosa” da inflação subjacente da zona do euro, sinalizando que o Banco Central Europeu está bem encaminhado para aumentar as taxas de juros no final do próximo ano. No seu discurso no Comité para os Assuntos Económicos e Monetários no Parlamento Europeu, disse ainda que espera que os salários continuem numa trajetória de subida. Juros soberanos disparam na Europa e euro valoriza.

BCE mantém juros em mínimos e reafirma plano para terminar estímulos

A decisão, amplamente esperada, foi divulgada no comunicado após a reunião do Conselho de Governadores. O foco passa agora para a conferência de Mario Draghi às 13h30.

BCE comprou 562 milhões de euros em dívida portuguesa em agosto

O montante compara com os 638 milhões de euros em dívida portuguesa comprados em julho pela instituição liderada por Mario Draghi.
Recomendadas

Wall Street animada à espera de boa época de resultados

Setor tecnológico impulsiona Nasdaq e o mercado antecipa que as empresas que vão apresentar os resultados do segundo trimestre aumentem os lucros em 1%. O mercado também espera que a Fed corte as taxas de juro depois da reunião de julho, o que está a impulsionar os índices bolsistas.

Tensões no Médio Oriente impulsionam subida de 1,23% do Brent

A cotação do Brent subiu devido às crescentes tensões com o Irão, que levam os investidores a recear interrupções nos canais de abastecimento de gás e petróleo a partir do Médio Oriente.

Com ou sem acordo, pouco importa. Brexit vai mesmo empurrar o Reino Unido para uma recessão, estima ‘think tank’

O Instituto Nacional de Investigação Económica e Social britânico revelou que o Brexit terá consequências nocivas para a economia britânica, independentemente de ser um Brexit duro ou um Brexit suave. Mas, o PIB britânico será 5% mais baixo no caso de um Brexit duro.
Comentários