BCP, Caixa Geral de Depósitos e Santander financiam OPA da Semapa

Para comprar os 27,3% que o grupo Queiroz Pereira não detém na Semapa, a Sodim SGPS tem de dispor de 260 milhões de euros. A ‘holding’ vai financiar a OPA com crédito e o sindicato bancário que a financia é composto pela CGD, BCP e Santander, sabe o Jornal Económico.

A holding da família Queiroz Pereira, a Sodim, lançou nesta quinta-feira uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade das ações da Semapa (dona da Navigator e da Secil), com a finalidade de comprar todas as ações que a família não detém, incluindo as ações próprias, ao preço unitário de 11,40 euros.

A OPA será financiada na totalidade com financiamento bancário, apurou o Jornal Económico, e os bancos financiadores são o BCP, a CGD e o Banco Santander Totta.

“Nesta data, a Sodim detém, diretamente e através da Cimo, [58.438.334] ações representativas de 71,906% do capital social da Semapa e 73,167% dos direitos de voto da Semapa”, lê-se no anúncio.

Assim, como a família, entre os 23,968% detidos pela Sodim, os 47,938% detidos pela sub-holding Cimo e as ações detidas pelas três filhas de Pedro Queiroz Pereira – Filipa, Mafalda e Lua – tem 72,697% do capital da Semapa (o que corresponde a 73,972% dos votos por causa das ações próprias), a oferta “geral e voluntária” para aquisição de todas as ações representativas do capital social da Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS que ainda não detém, significam que a Sodim SGPS se propõe comprar 27,303% do capital da Semapa que está disperso em bolsa. O valor que a Sodim se propõe pagar para comprar esta participação ronda os 260 milhões de euros.

Segundo o anúncio preliminar, o Millennium BCP e o Caixa BI atuam como assessores financeiros e intermediários financeiros encarregados da assistência à oferta, a JP Morgan é a assessora financeira e a Linklaters é a assessora jurídica da Sodim. A Lift é a agência de comunicação da oferente.

Mas o Banco Santander também colaborou com a Sodim neste processo, sabe o Jornal Económico. Nomeadamente no sindicato bancário que financia a OPA.

“A contrapartida da OPA consiste no montante de 11,40 euros por ação a pagar em dinheiro A contrapartida representa um prémio de 20% em relação à última cotação de fecho das Ações em 18 de fevereiro de 2021, e de 37,2% em relação ao preço médio ponderado das Ações no mercado regulamentado Euronext Lisbon nos seis meses imediatamente anteriores à data de publicação do presente Anúncio Preliminar”, diz o comunicado.

É condição de sucesso da OPA que a Sodim passe a deter, em consequência da mesma, 90% dos direitos de voto na Semapa. A Sodim reservou-se o direito de, na sua inteira discricionariedade, renunciar à condição de sucesso acima descrita nas 24 horas subsequentes ao apuramento dos resultados da OPA.

O objetivo desta OPA? Em primeiro lugar as herdeiras do empresário Pedro Queiroz Pereira querem concluir a organização do grupo que já estava a ser feita, e que passa pela saída de bolsa da Semapa, deixando cotada apenas a The Navigator. A empresa de pasta e papel tem resistido aos impactos da crise, com uma margem de EBITDA/vendas a rondar os 21% pós-crise.

Recorde-se que o grupo Semapa que tem cerca de 6.000 colaboradores tem, para além da papeleira Navigator, a cimenteira Secil (que disputa o mercado português com a Cimpor) e ainda a ETSA (na área do Ambiente), que faz a incineração dos resíduos de origem animal.

Outro dos objetivos da OPA é poder fazer investimentos de muito longo prazo (por exemplo o investimento que o grupo fez em Moçambique que tem maturidade à volta de 50 anos), sem sofrer o impacto nas cotações. “Os investidores não gostam muito de investimentos a muito longo prazo e por isso estavam sempre a penalizar o título”, refere fonte do mercado.

“Caso a Sodim, em resultado da presente OPA, venha a deter pelo menos 90% dos direitos de voto da Semapa e, simultaneamente, venha a adquirir, pelo menos, 90% das 22.831.666 ações da Semapa que são objeto da oferta, irá recorrer ao mecanismo de aquisição potestativa das ações da Semapa que permanecerem na titularidade de outros acionistas (squeeze-out) previsto no Código dos Valores Mobiliários”, diz a oferente no anúncio.

Mas, adianta o documento, “se a Sodim não adquirir pelo menos 90% das ações que são objeto da OPA mas vier a deter pelo menos 90% dos direitos de voto da Semapa, irá promover a perda de qualidade de sociedade aberta da Semapa e saída de bolsa (delisting) e, posteriormente, ponderará então se irá proceder a uma aquisição potestativa das ações da Semapa que permanecerem na titularidade de outros acionistas, ao abrigo do regime previsto no artigo 490.º do Código das Sociedades Comerciais”.

Em qualquer caso, a Sodim “reserva-se o direito de não avançar com os processos de aquisição potestativa, se a contrapartida que vier a ser determinada para tais processos for superior à contrapartida paga na Oferta, isto é, os 11,40 euros por ação.

É atualmente intenção da Sodim, independentemente dos resultados da OPA, dar continuidade à atividade empresarial da Semapa e das sociedades por ela controladas em moldes similares aos que têm vindo a ser por estas desenvolvidos, assegura o grupo.

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