BCP com 7,34 mil milhões de crédito em moratória em junho

O Millennium BCP diz que 91% do montante de moratórias ativas corresponde a crédito performing. Por sua vez o crédito hipotecário representa 98% das moratórias às famílias em Portugal.

Miguel Maya
Miguel A. Lopes/Lusa

O BCP tinha em junho 7.336 milhões de euros de crédito em moratória. Ainda assim uma redução de -24% devido a cancelamentos, liquidações e moratórias expiradas. As moratória no final de junho representavam menos 15,5% do que no final de 2020.

No crédito a particulares estão em moratória 3.269 milhões de euros e no crédito a empresas estão sob o regime de moratória 4.067 milhões de euros. As moratórias acabam a 31 de setembro deste ano.

Nota-se já uma degradação da carteira de crédito em moratória. O crédito performing em moratória (stage 1) em percentagem do total em moratória baixou de 67,6% para 63,1% de março de 2020 para junho de 2021. Por sua vez o rácio de crédito em stage 2 (em risco de incumprimento) subiu ligeiramente de 25,0% para 27,5%. O stage 3 (crédito em moratória que não será pago) passou de 7,4% para 9,3% entre março do ano passado e junho deste ano.

O Millennium BCP diz que 91% do montante de moratórias ativas corresponde a crédito performing. Por sua vez o crédito hipotecário representa 98% das moratórias às famílias em Portugal.

Sendo que 73% do crédito com moratórias ativas está coberto por hipotecas (48% por hipotecas residenciais e 25% por hipotecas comerciais)

Miguel Maya diz que as moratórias expiradas desde março 2021 não tiveram um impacto material em stage 3 (NPEs) e em stage 2.

O apoio às empresas e às famílias perante os desafios da pandemia em Portugal foi um dos temas abordados pelo CEO do Millennium BCP.

Recorde-se que o BCP apresenta dados positivos do primeiro semestre no que toca à qualidade da carteira de crédito. O Millennium BCP registou uma redução do crédito malparado (Non-Performing Exposure) de 0,8 mil milhões de euros, em “contexto adverso”. O rácio de NPE sobre o total do crédito caiu de 7% para 5,2% num ano. A cobertura dos NPE por imparidade fixou-se em 66,6%, acima dos 57,8% registado no semestre homólogo do ano anterior.

O crédito reestruturado pesa 4,3% do total do crédito, melhor que em junho do ano passado quando era 5,5%.

As imparidades e provisões somaram 461,9 milhões nos primeiros seis meses do ano. As imparidades para crédito, líquida de recuperações, caíram num ano 34% para 156,9 milhões de euros. O que significa que as recuperações superaram a novas constituições de imparidades.

O custo do risco melhorou para 0,55%, face a 0,85% um ano antes. O custo do risco passa para 0,68% quando ajustado de reversões one-off de 81 pb em Portugal e de 38 pb nas operações internacionais.

Em linhas de crédito Covid, garantidas pelo Estado, o BCP reportou 19.268 operações e um valor de 2.642 milhões de euros. O banco salienta o facto de estar na liderança na colocação das linhas de crédito Covid-19.

Na linha da frente no apoio à economia, o banco destacou o reforço da presença do Banco junto das empresas e a prorrogação dos períodos de carência de capital nas operações de crédito com garantias públicas, apoiando os ciclos de tesouraria das empresas.

Recorde-se que o Estado vai dar garantia a 25% dos créditos em moratória a empresas mais afetadas. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou que o Estado vai dar um incentivo público à renegociação dos créditos em moratória às empresas dos setores mais afetados pela pandemia.

Miguel Maya considerou positivo, mas ainda aguarda os detalhes das medidas do Governo.

Por outro lado, o presidente do BCP confirmou que o plano de reestruturação inclui a saída de 800 pessoas, tal como o Jornal Económico tinha avançado em primeira mão.

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