BCP reduz despedimento coletivo para 23 pessoas

O BCP vai assim fechar o ano com menos 811 trabalhadores, revelou o CEO do BCP, confirmando a notícia avançada em primeira mão pelo Jornal Económico.

O presidente do Millennium Bcp, Miguel Maya, durante a apresentação dos resultados do banco durante o ano de 2020, Oeiras, 25 de fevereiro de 2021. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

“Só não conseguimos chegar a acordo com 23 trabalhadores”, reconheceu Miguel Maya, presidente do BCP, na conferência de imprensa de apresentação de resultados do terceiro trimestre.

Este número é uma evolução face a 10 de setembro, quando o CEO do banco escreveu aos colaboradores a dizer que “procedimento que agora se iniciará abrange 10 áreas/direções e um total de 62 trabalhadores. Os trabalhadores abrangidos por este procedimento foram envolvidos na fase prévia de negociação e serão individualmente informados através de comunicação específica da direção de recursos humanos”.

Miguel Maya reconheceu que o ideal era ter chegado a acordo com todos os trabalhadores para “rescisão por mútuo acordo”.

O BCP vai assim fechar o ano com menos 811 trabalhadores, revelou o CEO do BCP, confirmando a notícia avançada em primeira mão pelo Jornal Económico.

O presidente do banco diz que o ajustamento é para continuar, mas que não prevê uma nova redução desta ordem nos próximos anos.

“Dizer que é um processo acabado era ficar parado no tempo, mas não tenho nenhuma expetativa de fazer qualquer processo desta natureza nos próximos anos”, afirmou Miguel Maya na apresentação dos resultados do banco no terceiro trimestre, onde o Millennium BCP reportou uma queda dos resultados líquidos consolidados de 59,3% para 59,5 milhões de euros. O banco avançou que “excluindo custos de ajustamento do quadro de pessoal em Portugal de 87,6 milhões, o resultado operacional core do Grupo atingiu os 938,7 milhões, correspondendo a um crescimento de 8,3%”. Isto significa que o custo de redução de pessoal somou quase 90 milhões de euros.

Nos últimos meses, BCP levou a cabo um grande processo de reestruturação. Dos 800 trabalhadores que saem até final do ano, 23 são alvo de despedimento coletivo (processo que está a decorrer) e os restantes saem por acordo com o banco (rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas). Os 23 trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo não aceitaram as condições propostas pelo banco para saírem.

Os sindicatos da banca têm levado a cabo uma cruzada contra os despedimentos colectivos na banca. A 1 de outubro, trabalhadores do BCP e do Santander fizeram greve contra os despedimentos nestes bancos.

A greve foi convocada por Mais Sindicato, SBN – Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro, Sindicato dos Bancários do Centro (afetos à UGT), Sintaf (ligado à CGTP), Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários e Sindicato Independente da Banca (independentes), com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do grupo CGD.

Esta foi a primeira greve nacional dos trabalhadores bancários desde 1988.

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