Bloomberg garante que em Bruxelas muitos pensam que Ursula von der Leyen “não dá conta do recado”

Presidente da Comissão Europeia é descrita como alguém a quem falta o domínio dos círculos comunitários e a rede de contactos nos vários países da União Europeia que são necessários para obter consensos em tempos de crise.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é vista como alguém que “não dá conta do recado” por responsáveis comunitários que trabalham consigo, revela uma notícia da Bloomberg publicada nesta segunda-feira. Uma das fontes do artigo, identificada apenas como um veterano de Bruxelas, comparou o mandato da ex-ministra da Defesa alemã, iniciado a 1 de dezembro de 2019 com a situação vivida em 1999, quando um escândalo de corrupção abalou o executivo liderado pelo italiano Romano Prodi.

Apesar de alguns responsáveis contactados pela Bloomberg considerarem que Ursula von der Leyen poderá fazer um bom trabalho quando conseguir que a sua presidência entre nos eixos, é voz corrente entre insiders de Bruxelas que alguns comissários estão a praticar “distanciamento social“ em relação à presidente, mantendo-se acantonados nos respetivos países. E que a alemã de 61 anos tem tentado (e falhado) mostrar quem manda.

Sendo apenas a segunda pessoa a presidir à Comissão Europeia sem nunca ter liderado o governo de um país da União Europeia, Ursula von der Leyen enfrenta problemas como a falta de poder nos circuitos de Bruxelas e de contactos privilegiados com os governantes dos Estados-membros que ajudam a garantir os compromissos necessários. Mesmo a relação com a chanceler alemã Angela Merkel é notoriamente tensa.

Numa conjuntura desfavorável crise profunda, com a pandemia de Covid-19 a exigir respostas difíceis, a presidente da Comissão Europeia destacou-se no choque frontal com o Tribunal Constitucional da Alemanha, que pôs em causa o programa de compra de dívida do Banco Central Europeu, tendo ainda de lidar com os entraves de países como a Holanda e a Áustria às ajudas necessárias para que Itália e outros países da Europa do Sul possam equilibrar as suas finanças públicas.

”Von der Leyen perdeu muitas batalhas até agora no seu breve mandato. Se voltar a perder quando tentar defender o Banco Central Europeu contra o Tribunal Constitucional alemão, isso criará outra fissura grave no edifício da unidade da União Europeia”, conclui a Bloomberg.

 

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