Bolsa de Lisboa quer ser uma “saída” para investimentos do capital de risco

“[Vamos abordar] qual é o racional, o processo, como é que se faz, o sucesso que temos tido nas operações noutros mercados, para termos estes investidores de ‘private equity’ cada vez mais conhecedores do que são as ‘saídas’ em mercado”, sublinhou Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, sobre o novo programa ‘PE Share’.

Isabel Ucha, presidente Euronext | Cristina Bernardo

A Euronext Lisbon quer que os players de capital de risco em Portugal escolham o mercado de capitais como forma de “saída” das empresas nas quais apostaram e vai para esse efeito lançar o “PE Share”, um programa desenhado para fornecer informação e casos de estudo aos principais operadores, informou esta terça-feira Isabel Ucha, presidente da empresa que gere a Bolsa de Lisboa.

“Juntamos um conjunto de operadores de private equity e capital de risco e vamos abordar com eles a solução de mercado de capitais como solução de saída para os investimentos das suas carteiras”, afirmou Ucha, em conferência de imprensa digital, adiantando que a Euronext Lisbon está a finalizar a preparação do programa, que vai lançar nos vários mercados onde opera e que em Portugal vai decorrer durante o primeiro semestre deste ano.

“[Vamos abordar] qual é o racional, o processo, como é que se faz, o sucesso que temos tido nas operações noutros mercados, para termos estes investidores mais conhecedores do que são as saídas em mercado”, sublinhou.

Isabel Ucha sublinhou que um estudo recente da Euronext demonstrou que “75% dos investimentos de private equity e capital de risco ‘saem’, mais tarde ou mais cedo, em bolsa”.

Adiantou que mais detalhes sobre o programa serão fornecidos em breve com o lançamento formal, mas adiantou: “essencialmente identificamos todos os capital de risco e fizemos uma seleção, porque não temos a capacidade de chegar a todos, pelo menos já numa primeira fase”.

“São sessões individualizadas e o programa funciona um bocado nos mesmo moldes que o TechShare ou que o FamilyShare. acrescentou. “É preciso perceber que nem todos os operadores nesta área têm um conhecimento profundo sobre as soluções que o mercado de capitais oferece, como é que se faz um entrada em bolsa, como é que pode se sair progressivamente do capital de uma empresa através do mercado”.

Isabel Ucha recordou que 2020 foi um marcado pelo disparo de 30% no volume negociado no cash market da Euronext Lisbon, de uma média diária de 86 milhões de euros em 2019 para 112 milhões, o valor mais elevado nos últimos seis anos.

Explicou ainda que o número de negócios cresceu 49% face a 2019, o valor mais elevado em cinco anos e que a participação dos investidores de retalho aumentou cerca de 50%, com este segmento de investidores a representarem 10% dos volumes negociados.

Em relação aos objetivos para 2021, Ucha vincou que o grupo Euronext quer construir a infraestrutura líder de mercado, mobilizar as empresas e o ecossistema, alargar a oferta de serviços e financiar a recuperação sustentável.

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