[weglot_switcher]

Bolsa de Valores de Cabo Verde junta-se à iniciativa Sustainable Stock Exchanges da ONU

BVC é a primeira bolsa de valores da lusofonia a aderir à plataforma internacional das Nações Unidas, que reúne mais de 130 bolsas de valores, investidores, reguladores e outros intervenientes dos mercados de capitais.
10 Fevereiro 2026, 15h54

A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) é o mais recente membro da Iniciativa das Bolsas de Valores Sustentáveis das Nações Unidas (United Nations Sustainable Stock Exchanges – UN SSE).

A adesão à plataforma internacional, que reúne mais de 130 bolsas de valores, investidores, reguladores e outros intervenientes dos mercados de capitais, vem reforçar o compromisso da BVC com a “promoção da transparência, da boa governação e do financiamento sustentável no mercado” cabo-verdiano, comenta o Conselho de Administração em comunicado.

Importa recordar, neste sentido, a contribuição da bolsa cabo-verdiana para o capítulo do financiamento sustentável no mercado de capitais.

Em 2021, lançou a Blu-X, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), um plataforma desenhada para conectar emitentes e investidores em títulos sustentáveis. Entre esse ano e 2024, a BCV facilitou sete emissões sustentáveis, arrecadando 40,63 milhões de euros, atraindo 182 investidores, noticiou na altura a “Forbes África Lusófona”. E, em 2023, a primeira emissão blue bond do país, que abriu caminho à projeção internacional. Seguiu-se a primeira cotação dupla com o ativo sustentável a ser listado na Luxembourg Green Exchange (LGX) em novembro desse ano.

“Esperamos trabalhar em estreita colaboração com a SSE e com os nossos pares a nível mundial para acelerar o desenvolvimento de oportunidades de financiamento e de investimento sustentáveis”, acrescenta o Conselho de Administração da BCV.

Na qualidade de bolsa parceira da UN SSE, a BVC deverá promover uma maior sensibilização e adoção de práticas sustentáveis entre as empresas cotadas, apoiar iniciativas de reforço de capacidades para os participantes do mercado e participar no diálogo global sobre o papel dos mercados de capitais na promoção da sustentabilidade.

Num comunicado conjunto, é referido igualmente que a decisão de aderir à UN SSE está alinhada com as prioridades nacionais de desenvolvimento do país, bem como com o compromisso assumindo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.

“Ao incentivar práticas de investimento sustentável, a BVC pretende reforçar a resiliência do mercado, atrair capital responsável e contribuir para um crescimento económico inclusivo e de longo prazo”, acrescenta.

A representar a iniciativa da ONU, Anthony Miller, coordenador-chefe da iniciativa das Bolsas de Valores Sustentáveis, assinala o “compromisso da BVC com o reforço da transparência, da boa governança e do financiamento sustentável reflete o crescente dinamismo em torno de mercados de capitais alinhados com a sustentabilidade em África e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento”. “A sua participação contribuirá para o fortalecimento de sistemas financeiros inclusivos e resilientes que apoiem o desenvolvimento sustentável a longo prazo”, acrescenta, citado em comunicado.

Primeira emissão de blue bonds em Cabo Verde

Em março de 2023, a Bolsa de Valores de Cabo Verde facilitou a emissão e a admissão à cotação do primeiro blue bond do país, emitido pelo International Investment Bank, que angariou com sucesso 350 milhões de escudos (3,5 milhões de dólares) destinados aos financiamento de projetos estruturais nos setores marítimo e das pescas sustentáveis. Nessa altura, constatou-se o forte interesse dos investidores por soluções de financiamento sustentável em Cabo Verde, dado que a procura pelo título superou a oferta inicial.

O que é a UN SSE? Quando foi criada?

A Iniciativa das Bolsas de Valores Sustentáveis das Nações Unidas é uma parceria global convocada pela ONU que reúne bolsas de valores,
investidores, reguladores e outros intervenientes dos mercados de capitais, com o objetivo de promover a integração de fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) e a criação de valor a longo prazo nos mercados de capitais.

A génese da iniciativa remonta a 2004, quando o Pacto Global da ONU e várias bolsas de valores globais se reuniram em Nova Iorque. Desse diálogo inicial nasceu uma declaração conjunta que selava o compromisso de explorar uma maior colaboração nos mercados de capitais. Em 2008, já em Genebra, a UNCTAD (rebatizada recentemente UN Trade and Development) e os grupo por detrás dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI) encontraram-se com investidores, fornecedores de informações financeiras, bolsas de valores e autoridades públicas, dando um novo passo para a promoção do investimento responsável em mercados emergentes, enquadrando o contexto político dos mesmos.

De acordo com a ONU, estes encontros inspiraram a criação da iniciativa Bolsas de Valores Sustentáveis (SSE). A abertura do primeiro encontro Diálogo Global da SSE, em 2009, foi feita pelo secretário-Geral da ONU de então, Ban Ki-moon, que contou com várias bolsas de valores, investidores institucionais e representantes da World Federation of Exchanges (WFE) e da IOSCO entre os participantes.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.