Bolsa portuguesa cai em linha com Europa. Itália lidera perdas

A bolsa nacional fechou em queda, acompanhando a tendência das principais praças europeias, num dia marcado pelo agravar da crise política em Itália devido ao facto de o primeiro-ministro ter apresentado a demissão.

O mercado bolsista nacional terminou o dia em terreno negativo. O PSI-20 caiu 0,63% para 4.820,95 pontos, com 10 ações em queda e cinco em alta.

Na bolsa portuguesa destaque para a Pharol, que caiu 3,33% para 0,116 euros, depois de ter sido noticiado que o maior acionista da operadora Oi, a GoldenTree Asset Management, pediu a demissão do atual CEO, e mostrou preocupação quanto à atual situação financeira da operadora de telecomunicações brasileira.

O conselho de administração da Oi afastou ainda em comunicado os rumores que dão conta de que o regulador das telecomunicações poderia intervir na operadora brasileira, cujo dinheiro disponível em caixa só dá até fevereiro do próximo ano se nada for feito. “É importante ressaltar, como já mencionado em nota da própria Anatel, que não existe nenhuma discussão diferente do acompanhamento já sendo realizado, e que não existe dissenso [divergência] quanto ao foco na execução do plano estratégico”, referiu a empresa brasileira em comunicado ao mercado. A Pharol detém cerca de 5% da Oi.

A NOS e os CTT também tiveram quedas significativas. A NOS perdeu -1,63% para 5,415 euros e os CTT desceram -1,61% para 1,837 euros.

Em queda esteve também o setor do papel, com a Navigator a recuar 1,41% para 2,946 euros, a Altri a cair 1,78% para 5,51 euros. A Semapa baixou 0,5% para 11,98 euros.

O BCP voltou a cair hoje -0,64% para 0,2024 euros, num dia em que o sector bancário europeu foi penalizado pelos bancos italianos.

A subir estiveram os títulos da EDP Renováveis, que avançaram 0,95% para 9,58 euros, bem como as ações da Mota-Engil, que subiram 1,06% para 1,9 euros.

Após os ganhos expressivos de ontem, os mercados europeus fecharam em queda, com os investidores a adotarem uma postura mais prudente. Prudência essa explicada por factores como a presença do primeiro-ministro italiano no Senado. Giuseppe Conte apresentou a sua demissão, continuando o debate a decorrer aquando do fecho dos mercados europeus.  O governo de Giuseppe Conte encontrava-se fragilizado desde que um dos partidos da coligação governamental, a Lega, retirou o seu apoio ao executivo.

O líder do executivo de Itália anunciou a sua demissão, acusando Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita soberanista), de “irresponsabilidade” e “oportunismo político”. A moção de desconfiança e as atitudes recentes da Liga “impõem que interrompa aqui esta experiência de governo”, disse o primeiro-ministro italiano no Senado.

O FTSE MIB da bolsa de Milão foi um dos piores performers da sessão europeia, tendo o sector bancário liderado as perdas. Perdeu 1,11% para 20.485,43 pontos. As ações do Monte dei Paschi di Siena caíram 3,48%; o Intesa Sanpaolo perdeu 0,56%; e o UniCredit recuou 2,24%.

As yields italianas negociaram com uma descida de 6,4 pontos base das obrigações soberanas para 1,373%.

O EuroStoxx 50 deslizou 0,56% para 3.350,23 pontos.

O FTSE 100 desceu 0,90% para 7.125 pontos; o CAC perdeu 0,50% para 5.344,64 pontos; o DAX recuou 0,55% para 11.651,18 pontos e o IBEX tombou 1,32% para 8.618,30 pontos.

Um outro fator a justificar a postura mais prudente dos investidores é a aproximação da realização do Fórum Anual de Jackson Hole pela Fed, que inicia na quinta-feira. Este evento é normalmente utilizado pelo Banco Central como um canal de comunicação com os mercados financeiros, diz o analista do BPI no seu comentário de fecho.

O petróleo sobe no mercado de Londres 0,17% para 59,84 dólares.

O euro sobe 0,17% para 1,1097 dólares.

A dívida soberana alemã cai 4,2 pontos base para -0,69%. Ao passo que a dívida portuguesa cai 3,5 pontos base para 0,124% e a espanhola desliza 3,7 pontos base para 0,096%.

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