Bolsas regressam às quedas com setor automóvel a liderar. BCP cai 4% ao adiar dividendos

As desvalorizações mais expressivas dos setores Auto e de Viagens & Lazer espelham a preocupação dos investidores quanto à evolução da pandemia Covid-19, segundo a análise do analista da Mtrader. O BCP cai em bolsa 4% depois de cancelar dividendos e em dia de moratória de créditos.

A Bolsa de Lisboa caiu -2,14% para 3.927,72 pontos. O BCP caiu -4% para 0,1055 euros depois de entrarem em vigor as moratórias para crédito à habitação e crédito a empresas. O setor do papel foi o dos que mais caiu no PSI-20. A Navigator perdeu -4,78% para 2,07 euros; a Semapa deslizou -4,39% para 7,63 euros; e a Altri recua -3,91% para 3,49 euros. Destaque ainda para a queda da Sonae Capital de -5,21% para 0,40 euros e da Mota_Engil que recuou -4,57% para 1,087 euros.

Nos pesos-pesados a EDP caiu -1,76% para 3,52 euros; a EDP Renováveis desceu -1,18% para 10,08 euros; a REN tombou -3,21% para 2,260 euros.

O BCP e a EDP Renováveis realizaram as suas Assembleias Gerais. Relativamente ao banco, foi comunicado que face aos impactos e à incerteza associada à situação de pandemia, e ainda que o Banco integre o grupo de instituições financeiras sem limitações regulatórias específicas em matéria de distribuição de dividendos, o Conselho de Administração entendeu propor à assembleia geral a retenção dos restantes resultados relativos ao exercício de 2019.

Já na Assembleia Geral da EDP Renováveis foi aprovada a proposta do Conselho de Administração de distribuição de 69,8 milhões em dividendos, o que corresponde a um dividendo bruto de 0,08 euros por ação.

Em alta só fecharam a Jerónimo Martins (+1,04% para 16,09 euros); os CTT (+1,79% para 2,05 euros) e a Ibersol que ganhou +0,39%.

O comportamento da bolsa nacional foi semelhante aos dos pares europeus, com a maioria dos títulos do PSI20 a fechar em baixa.

“Neste contexto, as ações da Jerónimo Martins voltaram a mostrar a sua resiliência em dias mais pressionados, pelo que foram dos poucos títulos a encerrar em campo positivo”, refere o BPI no seu comentário de fecho.

“A Navigator recuou 4,78%  depois de ter publicado que o total de volumes europeus de papel UWF permaneceu estável em termos homólogos em 605 mil toneladas em janeiro.

De acordo com o CaixaBank BPI Equity Research, os últimos dados conhecidos revelaram uma evolução melhorada na indústria de papel UWF quando comparados à forte tendência de queda observada no 4º trimestre de 2019. “No entanto, estes dados são retrospetivos e o surto do coronavírus deve ser um grande desafio para a evolução da procura, principalmente a partir de março, o que aumenta os riscos de volumes e preços no setor”, diz o analista do BPI.

Na Europa o panorama não foi melhor, o EuroStoxx 50 caiu -4,18% para 2.728,6 pontos; o FTSE 100 de LOndes tombou -5,25% para 5.510,33 pontos; o CAC 40 desceu -4,23% para 4.351,5 pontos; o DAX deslizou -3,68% para 9.632,5 pontos, o IBEX perdeu -3,63% para 6.777,9 pontos e o índice de Milão caiu -3,15% para 16.822,6 pontos.

O analista da Mtrader, Ramiro Loureiro destacou que o setor Auto liderou as quedas europeias. “A queda do setor Auto castiga o DAX. Isto após três dias consecutivos de ganhos, sendo que o rally de quinta-feira coloca até ao momento o Dow e o S&P 500 numa das melhores performances semanais desde os anos 30”, diz o analista do BCP.

“As empresas começam a quantificar impactos da disrupção provocada pela pandemia, a exemplo do apresentado hoje pela Volkswagen, que afirmou que o encerramento da produção apresenta custos de 2,2 mil milhões de dólares por semana. Já a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê que as companhias aéreas possam perder mais de 250 mil milhões de dólares este ano devido à propagação do vírus”, diz a Mtrader.

A Volkswagen estendeu a suspensão da produção na Alemanha até 9 de abril. As suas ações desceram mais de 6%.

“Hoje, os investidores avaliaram a evolução da propagação deste vírus e a ausência de um plano concertado por parte da Europa em resposta a esta pandemia. De facto, os países da União Europeia continuam a não conseguir chegar a um entendimento relativamente à elaboração de um plano coordenado para enfrentar a atual crise”, constata o BPI.

Entretanto, os dirigentes dos países que constituem o G20 anunciaram a intenção de injetar “mais de 5.000 milhões de dólaes na economia mundial para “contrariar as consequências sociais, económicas e financeiras da pandemia” do Covid-19″, realça o analista do BPI.

Hoje o setor bancário perdeu cerca de 5%. “A Moody’s analisou a perspetiva dos 10 maiores sistemas bancários europeus à luz da pandemia do coronavírus. A agência de rating baixou a perspetiva de estável para negativa para os sistemas bancários de França, Itália, Espanha, Dinamarca, Holanda e Bélgica. Manteve a perspetiva negativa para os sistemas bancários da Alemanha e do Reino Unido e manteve uma perspetiva estável para a Suécia e a Suíça”, refere o BPI.

Em Londres, a operadora turística Carnival e a Royal Mail perderam mais de 18,50%.

O petróleo tomba -6,61% em Londres para 24,60 o barril do Brent.

Em termos macroeconómicos, as empresas alemãs puseram travões à sua política de contratações, os dados são do Barómetro de Emprego da Ifo, o Instituto de Pesquisa Económica de Munique. O Barómetro do Ifo revela que o emprego caiu fortemente para 93,4 pontos em março, após medir 98,0 pontos em fevereiro. “Este é o maior declínio desde que os registos começaram a ser feitos em 2002 e o menor valor desde janeiro de 2010”, diz o instituto.

O euro aprecia +0,36% para 1,1072 dólares.

No mercado de dívida soberana a Alemanha tem os juros em queda de -11,34 pontos base para -0,48%; Portugal tem as yields a baixarem -4,8 pontos base para 0,66%; Espanha vê os juros caírem -2,87 pontos base para 0,53% e Itália ao contrário vê os juros agravarem +10,19 pontos base para 1,32%.

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