Bolsonaro lidera um “Governo de destruição”, acusa Lula da Silva

O antigo Presidente brasileiro citou como exemplo de ações que considerou destrutivas que estão a ser tomadas pelo Governo do país mudanças nas áreas da educação, direitos laborais, indústria e privatizações de empresas públicas e a falta de uma política ambiental.

Fernando Donasci/Reuters

O ex-presidente brasileiro Lula da Silva acusou hoje o atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro, de liderar um “Governo de destruição”.

“É um Governo de destruição, sem nenhuma visão de futuro, sem um programa e que não está qualificado para o poder”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso e condenado a oito anos e 10 meses de prisão por corrupção, numa entrevista ao jornal francês Le Monde publicada hoje .

O antigo presidente brasileiro citou como exemplo de ações que considerou destrutivas que estão a ser tomadas pelo Governo do país mudanças nas áreas da educação, direitos laborais, indústria e privatizações de empresas públicas e a falta de uma política ambiental.

Sobre a Amazónia, que está a ser afetada por incêndios e pelo aumento das ações de desflorestação, o antigo chefe de Estado brasileiro disse que “o povo deve reagir”.

“Os brasileiros precisam de se mobilizar” para deter a destruição da floresta, defendeu.

Por outro lado, Lula da Silva opõe-se à ideia de um estatuto internacional para a maior floresta tropical do planeta, conforme sugerido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

“A Amazónia é de propriedade do Brasil e faz parte da herança brasileira. E é o Brasil que deve cuidar disso”, afirmou.

Em relação ao seu próprio destino, Lula da Silva garantiu que não pede “favores”, reiterando que não quer a redução de sua sentença, mas apenas justiça.

“Tudo o que quero é o reconhecimento da minha inocência”, concluiu.

Lula da Silva cumpre pena de oito anos e dez meses de prisão na sede da Polícia Federal na cidade de Curitiba, como parte de uma condenação já confirmada em três instâncias da Justiça brasileira num processo em que foi acusado de receber um apartamento de luxo na cidade do Guarujá, localizada no litoral do estado de São Paulo, como pagamento de suborno da construtora OAS.

O ex-Presidente nega a acusação, já pediu a anulação do processo alegando que foi condenado sem provas porque terá sido vítima de uma perseguição do ex-juiz e atual ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, que o condenou em primeira instância, e dos procuradores da Lava Jato, responsáveis por esta acusação.

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