Brexit em velocidade cruzeiro para o desconhecido

A derrota de Theresa May no Parlamento, mais uma, levou a um rol de reações no mesmo sentido: acabou-se. As teorias da conspiração têm agora caminho livre – numa altura em que ninguém sabe ao certo o que se vai passar a seguir.

EPA

Os minutos imediatamente seguintes à votação da passada terça-feira na Câmara dos Comuns – que ditou mais uma derrota para a primeira-ministra Theresa May – foram penosos: no meio do caos que tomou conta do Parlamento, vários deputados tentavam inteirar-se dos procedimentos que se seguem ao longo do dia de hoje, a propósito de mais uma votação, desta vez sobre se os parlamentares aceitam uma saída de sem acordo.

Vários deputados queriam saber se podiam acrescentar ou não alguma cláusula ao que irá em princípio ser votado – ou questionando qualquer outro procedimento burocrático – sem aparentemente se aperceberem do que disseram no início da semana os principais responsáveis da União Europeia: a aceitação do acordo que foi ontem rejeitado era a última oportunidade.

Ou, dito de outra forma: os britânicos podem perder o tempo que quiserem a votar aquilo que lhes apetecer ao longo dos próximos dias, mas a derrota do acordo que May conseguiu ‘espremer’ à União Europeia na passada segunda-feira encerra o assunto. Pelo menos para Bruxelas.

No meio das reações que tiveram lugar depois da votação de ontem no Parlamento, foi isso que ficou claro: os europeus deixaram de contar com os britânicos no que diz respeito à União Europeia e preparam-se para virar a página. O que vai acontecer a seguir – e uma vez que os britânicos não têm nenhum plano B (aparentemente também não tinham nenhum plano A, dizem os críticos mais contundentes) – seguirá ao ritmo do real: logo se verá como funcionam as coisas.

Neste capítulo, há duas posições distintas: os que acham que Bruxelas tenderá a impor uma espécie de vingança sobre o Reino Unido por querer deixar a União – o que poderia passar, por exemplo, por um prolongamento indefinido do backstop (ou, pelo menos, por remeter a resolução do assunto para o fundo da gaveta); e os que chamam a atenção para o facto de as ilhas britânicas não estarem prestes a transformarem-se numa ‘jangada de pedra’ que se aproximará dos Estados Unidos.

De qualquer modo, para muitos observadores, essa continua a ser a posição mais provável: uma aproximação entre os Estados Unidos e o Reino Unido – num jogo de poder que coloque em causa a liderança da União Europeia por parte da Alemanha. É o timing certo, dizem os adeptos desta não pouco modesta teoria da conspiração: com Angela Merkel a abandonar o poder em Berlim e Emmanuel Macron a não conseguir ‘limpar a casa’, este é o momento certo para ‘atacar’ o coração da União.

Seja como for – e nisso convergem todos os comentadores – avizinham-se tempos difíceis para a Europa.

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