Brexit: FMI prevê tombo de 1,4% na economia britânica em caso de não-acordo

A organização liderada por Christine Lagarde prevê também uma subida nos spreads soberanos do Reino Unido, que se pode arrastar aos restantes Estados-membros da UE.

Theresa May

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, após a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), a economia britânica possa cair 1,4%, caso o país deixe o bloco europeu sem acordo e as condições comerciais e económicas se deteriorem. A organização liderada por Christine Lagarde prevê também uma subida nos spreads soberanos do Reino Unido, que se pode arrastar à UE.

As projeções feitas pelo FMI são baseadas em dois cenários possíveis para avaliar as implicações de um Brexit sem acordo. No cenário A, o FMI prevê não interrupções na circulação de pessoas e mercadoria na fronteira e um aumento relativamente pequeno nos spreads soberanos do Reino Unido. Já num hipotético cenário B, o FMI pressupõe interrupções significativas na fronteira, que levem a um aumento dos custos de importação para as empresas e famílias britânicas aliado a condições financeiras severas.

Caso se venham a comprovar as interrupções comerciais previstas no cenário B, o FMI prevê um declínio no PIB do Reino Unido de 1,4%, no primeiro ano, e 0,8%, no ano seguinte. Mas os efeitos do Brexit não se vão sentir da mesma forma entre as duas partes em divórcio. O FMI aponta, no primeiro ano após a saída do Reino Unido da UE, para um declínio de 0,2% na economia da União, enquanto no segundo ano a redução será de 0,1%.

Os cenários divergem também no que toca à forma como os mercados vão reagir a uma possível saída sem acordo. As simulações feitas pelo FMI mostram que, num possível cenário A, os spreads soberanos do Reino Unido aumentam 12,5 pontos base, enquanto os spreads corporate do Reino Unido aumentam em 20 pontos base. Tal deve-se ao facto de não haver interrupções na fronteira. Já a UE não sentiria qualquer aperto nas condições financeiras.

Num cenário B, os spreads soberanos do Reino Unido aumentam 100 pontos base e os spreads corporate aumentam 150 pontos base. Na UE, os spreads corporate aumentariam temporariamente 25 pontos base na UE e 15 pontos-base no resto do mundo.

“Caso sejam implementadas medidas adicionais de política monetária não convencional [como compras de ativos financeiros ou operações de refinanciamento], o declínio do PIB da UE será menor a curto e médio prazo do que o que é simulado”, lê-se no relatório divulgado pelo FMI. “Os cenários também pressupõem alguma estabilização fiscal automática, o que se reflete num aumento do défice tanto no Reino Unido como na União Europeia, a curto e médio prazo”, notam, salientando que, em ambos os casos, há imprevistos que não podem ser calculados.

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