Bruxelas dá ‘ok’ ao OE2021, mas quer que Portugal avalie regularmente a eficácia das medidas de apoio

As medidas previstas no Orçamento têm ‘luz verde’ da Comissão Europeia, que contudo recomenda que Portugal avalie regularmente o seu impacto e as adequa à evolução do contexto, deixando ainda avisos sobre os riscos associados às garantias públicas.

Ursula Von Der Leyen | Twitter

A Comissão Europeia considera que a proposta do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) está “globalmente em conformidade” com as recomendações do Conselho Europeu, assinalando que as medidas previstas são de apoio à atividade económica. Contudo, avisa que Portugal deverá avaliar regularmente estas medidas e adaptá-las à evolução do contexto, deixando avisos sobre os riscos associados às garantias públicas.

“A maior parte das medidas previstas no projeto de plano orçamental de Portugal estão a apoiar a atividade económica num cenário de grande incerteza”, refere o parecer de Bruxelas publicado esta quarta-feira. Porém, convida Portugal a “rever regularmente a utilização, eficácia e adequação das medidas de apoio e a estar pronto a adaptá-las conforme necessário face à evolução das circunstâncias”.

O executivo comunitário adverte que associadas às medidas implementadas para fazer face à pandemia existem riscos negativos para as projeções orçamentais “ligados à acumulação de responsabilidades contingentes oriundos de algumas empresas públicas”.

“Como em outros países, o Governo deu garantias públicas para sustentar a atividade económica e os setores particularmente afetados pela pandemia. Caso essas garantias sejam acionadas, isso irá refletir-se na dívida pública e défices no futuro”, realça o relatório.

A instituição presidida por Ursula von der Leyen diz ainda que a proposta do OE2021 não apresenta explicitamente estimativas atualizadas do impacto das medidas de resposta à crise provocada pela pandemia para este ano, recordado projeções das previsões de outono que aponta que o custo destas medidas deverá ascender a 2,8% do PIB – dos quais 2,2% do PIB do lado da despesa e 0,6% do lado da receita.

Porém, considera que para 2021 o custo orçamental das novas medidas previstas para 2021 está “em geral de acordo com as próprias projeções da Comissão”, dando nota que o pacote de novas medidas deverá ter um peso orçamental de 0,9% do PIB, com um aumento do impacto no défice de 2% das medidas do lado da despesa a ser parcialmente compensado por 1,1% de medidas do lado da receita.

“O facto de as medidas de mitigação da crise serem planeadas para pesar menos sobre o défice em 2021 deve apoiar a melhoria das finanças públicas no próximo ano”, refere.

A questão da dívida portuguesa “não pode ser deixada de lado” no médio prazo, avisa Paolo Gentiloni

(Atualizado às 12h13)

Ler mais

Relacionadas

Bruxelas diz que Portugal “enfrenta desafios de baixo investimento e produtividade”

Comissão Europeia assinala que “no caso de Portugal, o maior desafio, como em todos os Estados Membros, é fazer face ao impacto negativo da pandemia do coronavírus, tanto a nível humano como económico”. Recomenda também a realização de “exames aprofundados” para identificar eventuais desequilíbrios macroeconómicos.

A questão da dívida portuguesa “não pode ser deixada de lado” no médio prazo, avisa Paolo Gentiloni

O Comissário Europeu para a Economia diz que Portugal é um dos países que deve apoiar a sua economia, alertando que não o fazer levará a um aumento da divergência entre os Estados-Membros. Adverte, no entanto, que no médio prazo a sustentabilidade orçamental não poderá ser esquecida.

“Não creio que possamos retirar da dívida as medidas Covid”, defende Comissário da Economia

Paolo Gentiloni considera que identificar na despesa as medidas Covid-19 “é uma questão de classificação, não de evitar um certo montante de dívida”. O comissário europeu não descarta “outras medidas emergência”, mas “precisa da aprovação sobre os recursos próprios”.

Comissário Europeu: “O veto da Hungria e da Polónia é preocupante, mas vamos superar”

Em entrevista, o Comissário Europeu para a Economia diz que transformar o plano de recuperação europeu “num acordo intergovernamental” teria “certamente consequências negativas na qualidade” da iniciativa. E avisa que “não temos intenção de desvincular o QFP e o Plano de Recuperação” para ultrapassar o impasse com a Hungria e a Polónia.
Recomendadas

IRS: Novas retenções dão um euro por mês em salários de 750 euros. Já salários de 5.000 euros têm ganho mensal de 35 euros. Veja as simulações

As tabelas de retenção da fonte, que detalham a aplicação do alívio fiscal que consta no Orçamento do Estado, foram hoje publicadas em dezembro, chegando a tempo do processamento dos salários de janeiro. Veja aqui as simulações da EY sobre o impacto efetivo da redução das taxas nos rendimentos das famílias, nos diversos escalões de rendimentos.

Taxas de retenção: Alívio no IRS dá 3,8 euros por mês num salário médio

Tabelas de retenção do IRS já foram publicadas. Trabalhadores dependentes já podem calcular quanto irão descontar todos os meses. Para um salário mensal médio de 1.266 euros, solteiros têm um ganho mensal inferior a quatro euros o que perfaz um aumento do rendimento disponível anual de 53,2 euros. Para casais com mesmo salário e dois filhos ganho anual é de 56 euros.

Salários até aos 686 euros ficam isentos de IRS em 2021

Retenção de IRS começa para quem ganha mais de 686 euros. Alívio no imposto do próximo ano que reflete a redução as taxas de retenção na fonte do IRS no início de 2021. Medida abrange dois milhões de contribuintes e contempla uma redução média (e progressiva) de 2% nas retenções. Trabalhadores dependentes já podem calcular quanto irão descontar todos os meses.
Comentários