Cabo Verde Digital quer ser a ponte para o futuro

Iniciativa lançada em Portugal pretende transformar o arquipélago num centro de startups de tecnologia e num polo de programadores altamente capacitados.Reforçar o empreendedorismo digital e atrair talentos são dois dos objetivos.

“Queremos ser o primeiro país do mundo a ensinar programação como língua estrangeira.” As palavras do secretário de Estado da Inovação de Cabo Verde, Pedro Lopes, na apresentação do Cabo Verde Digital, dão boas pistas dos planos para o futuro. O programa foi lançado em Lisboa em novembro, diante de uma plateia de mais de 200 pessoas. Liderado pelo secretário de Estado – com apoio direto do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva –, pretende reforçar o sistema de empreendedorismo digital, atrair novos talentos e oferecer aos jovens cabo-verdianos condições para criar soluções e negócios inovadores, de forma a gerar a sua própria atividade produtiva e “reduzir a dependência relativamente ao Estado”, como ressaltou o primeiro-ministro.

Cabo Verde foi o único país africano a contar com um espaço próprio na cimeira tecnológica Web Summit, para onde levou dez startups focadas em negócios digitais. O investimento na participação foi de 100 mil euros. “Temos todas as condições para podermos funcionar de facto como uma plataforma em África para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser exportáveis e contribuir também para a melhoria da eficiência da economia do país”, disse Ulisses Correia e Silva durante a cerimónia. Para suportar os planos traçados, Cabo Verde está a mobilizar várias frentes, que vão do aprimoramento do sistema educacional à criação de mecanismos de financiamento ao empreendedorismo na área da tecnologia.

Cabo Verde Digital tem parceria com a Academia de Código, startup portuguesa que oferece formação em programação. Entre as ações previstas pelo programa, está a realização de eventos em parceria com gigantes como Google, a capacitação de jovens profissionais por meio do ensino de programação e a oferta de incentivo financeiro a startups estrangeiras que estejam interessadas em aterrissar no continente africano.

“Queremos atrair a diáspora, surpreender o mundo e mostrar que num país pequenino no meio do Atlântico estão a fazer-se coisas fantásticas na área das novas tecnologias”, rematou Pedro Lopes. A depender do entusiasmo do governante cabo-verdiano, a construção da ponte para o mundo digital está apenas a começar.

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