Cabo Verde leva fórum de investimento privado a Luanda e Lagos em março

“Esse é um dos objetivos desta visita e aproveitar para falar de investimentos”, apontou o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Manuel Lima.

As cidades de Luanda e de Lagos recebem em março conferências da Cabo Verde Investment Fórum, para captar investimento privado para aquele arquipélago, antes da reunião na ilha do Sal, de 1 a 3 de julho.

O anúncio foi feito esta sexta-feira, na Praia, durante a apresentação de alguns dos resultados alcançados desde a primeira edição do Cabo Verde Investment Fórum, dinamizado pelo Governo cabo-verdiano e que em julho de 2019 mobilizou, segundo os memorandos de entendimento então assinados, 1.500 milhões de euros em projetos e intenções de investimento privado.

Em declarações à Lusa à margem do evento de hoje, o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, entidade que promove este evento, explicou que em Luanda, além da captação de investimento privado bilateral nas áreas dos transportes e turismo, será ainda assinado um acordo de proteção recíproca de investimentos, entre os governos cabo-verdiano e angolano. “Esse é um dos objetivos desta visita e aproveitar para falar de investimentos”, apontou Manuel Lima.

Nos eventos do Cabo Verde Investment Fórum participam empresários, parceiros internacionais, decisores, empreendedores e executivos financeiros que desejam promover e apoiar investimentos naquele país africano.

O objetivo, segundo a organização, é “acelerar os investimentos do setor financeiro privado e público e dos investidores privados” em “projetos catalisadores” que promovam o crescimento económico sustentável e a criação de emprego em Cabo Verde.

Depois de Luanda, em março, segue-se até ao final do mesmo mês evento semelhante em Lagos, Nigéria, para captar investimento e promover Cabo Verde junto dos empresários locais, explicou o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde.

“São complementares [os eventos em Luanda e Lagos] à conferência no Sal [01 a 03 de julho]. A perspetiva é de criação de uma plataforma de investimentos. E nesses eventos, fazer a promoção de investimentos, de atração e procura de parcerias. Mas também temos a clara noção que num evento só não se consegue fechar negócios, é preciso começar, criar condições, acompanhar até à sua negociação”, destacou Manuel Lima.

A primeira edição do Cabo Verde Investment Fórum aconteceu em julho de 2019, na ilha do Sal, com a assinatura de memorandos de entendimento para financiamento e contratos de investimento privado de cerca de 1.500 milhões de euros, em 41 projetos, nomeadamente do setor do turismo.

“Foi uma indicação que depois se veio a traduzir em negócios. Desses, sete já estão em processo de execução”, garantiu Manuel Lima. Acrescentou que o projeto Lusofonia Mélia, um novo hotel a instalar na Praia, vai avançar em breve e já tem financiamento garantido.

Seguiu-se, em setembro, uma edição do Cabo Verde Investment Fórum em Boston, para captar investimentos na diáspora cabo-verdiana nos Estados Unidos.

Presente na apresentação do fórum de julho no Sal, o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, destacou a necessidade de o país realizar este tipo de eventos e promover-se internacionalmente.

“Sentado em casa ninguém consegue nada hoje. Temos de promover Cabo Verde, nós não estamos sozinhos no mundo”, enfatizou, numa resposta às críticas da oposição, que contesta as verbas gastas pelo Estado nestes eventos promocionais.

Olavo Correia garantiu que o Governo pretende incentivar a mobilização de empresários para investir em Cabo Verde, disponibilizando para o efeito a rede diplomática e consultores técnicos para “apoiar a concretização de projetos de investimento”.

Internacionalmente, as autoridades cabo-verdianas apresentam a estabilidade política, económica e social do país, aliada à posição geoestratégica do arquipélago, no centro das rotas mais importantes no Atlântico, e ao sucesso do turismo, como fatores de atração do investimento privado.

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“Não havia aviões de maior porte, movimentação de passageiros, estrangeiros, como costumava ver quando chegava aqui ao Sal. Isso logo dá-me uma sensação de algum desconforto, de alguma tristeza”, admitiu Jorge Carlos Fonseca.
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