Cabo Verde quer criar centro africano de Medicina Tradicional Chinesa

A criação de legislação para regulamentar a atividade, em 2020, é uma das prioridades, declarou à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha.

O ministro da Saúde e da Segurança Social de Cabo Verde disse esta quarta-feira à Lusa que o governo está disponível para construir no país um centro africano de Medicina Tradicional Chinesa. Arlindo do Nascimento do Rosário afirmou que a criação deste centro seria “uma mais-valia para o país, não apenas no setor da saúde, mas também (…) em relação ao turismo”.

As declarações do governante foram realizadas à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que começou hoje em Macau e que reúne mais de 700 participantes do território, do interior da China, da Ásia, Europa e de países lusófonos.

“Será, de facto, uma mais-valia, não só para Cabo Verde, mas também para a própria China e para Macau, ter um ponto em África, num país que é estável, um país que oferece condições para que seja (…) uma plataforma de entrada para o continente africano e para a costa ocidental africana”, sublinhou, lembrando que está em causa um mercado de pelo menos 200 milhões de pessoas.

“Tal como em Portugal que se construiu também um centro de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa, para a Europa, porque não em Cabo verde, para África?”, argumentou o ministro.

Arlindo do Nascimento Rosário frisou que em Cabo Verde a indústria farmacêutica já produz cerca de 40% dos medicamentos da medicina convencional consumidos no país.

“É uma indústria em expansão, que está a desenvolver-se, também virada para a região africana, para os países (…) africanos de língua oficial portuguesa”, salientou.

“Razão pela qual a aposta nesta área é também “uma oportunidade que se oferece a Cabo Verde para o seu setor farmacêutico, não só a nível da medicina convencional, mas tradicional também”, concluiu.

A criação de legislação para regulamentar a atividade, em 2020, é uma das prioridades, declarou à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha.

Outro dos objetivos imediatos passa por “começar a trabalhar num estudo sobre plantas medicinais autóctones, de forma a introduzi-las no mercado”, acrescentou.

A intenção é, por um lado, “recuperar a medicina tradicional cabo-verdiana” e, por outro, “introduzir a Medicina Tradicional Chinesa”, explicou.

A 19 de maio, Cabo Verde assinou um acordo com o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, com o objetivo de aprofundar a cooperação com a China.

A parte chinesa é responsável pela consultoria técnica e política, formação profissional e apoio no controlo da qualidade.

Já Cabo Verde está encarregue de ajudar o Parque na promoção do registo, comércio, formação e cooperação sobre os projetos da indústria dos medicamentos tradicionais e suplementos alimentares.

A estratégia de ‘exportação’ da Medicina Tradicional Chinesa para os países lusófonos, utilizando também Portugal como porta de entrada para a Europa, é encarada como um dos eixos centrais de atuação para 2019 pelas autoridades de Macau.

A aposta tem sido marcada por algum sucesso nos países africanos de língua portuguesa, sobretudo na formação de médicos e terapeutas, com Macau a definir um plano até ao final de 2019 que abrange a obtenção de licenças de comercialização de medicamentos.

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