Cabo Verde quer mobilizar meio milhão de euros para setor privado

O governo cabo-verdiano pretende assinar um pacote de financiamento durante o Cabo Verde Investment Fórum, que se realiza no próximo mês de julho.

No ato publico de lançamento do Cabo Verde Investment Fórum (CVIF), o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, assegurou que o governo quer assinar no decorrer do fórum – que se realiza na ilha do Sal entre 1, 2 e 3 de julho – um pacote de financiamento de, pelo menos, 500 milhões de euros para o setor privado.

“Este fórum é para concretizar negócio, a equipa que lidera o processo tem esta missão. Nós queremos assinar um pacote de 500 milhões de euros de financiamento, no mínimo, para termos sucesso neste fórum. Somo competentes, temos projetos bancáveis, será possível e se não for temos de saber porquê, mas nós acreditamos que é possível ter projetos financiado no montante de 500 milhões de euros”, disse Olavo Correia.

O governo de Cabo Verde propõem a realização anual do CVIF, como resultado do compromisso assumido de mobilizar financiamento para o setor privado na sequência do Fórum de Paris, realizado em dezembro do ano passado.

Segundo Emanuel Lima, presidente da Balsa de Valores, um dos parceiros deste fórum “é reconhecida a reduzida disponibilidade de capital em Cabo Verde por isso as parcerias com agentes externos bem como o financiamento direto internacional tiveram e deverá continuar a ter um papel fundamental não crescimento da nossa economia”.

Emanuel Lima referiu que estima-se em cerca de 2 mil milhões de euros as oportunidades de investimentos só em projetos puramente privados e já em busca de financiamento e que é preciso ainda contar com um potencial significativo no seguimento das Parcerias Públicas Privadas necessárias em setores estratégicos para o desenvolvimento, a cooperação regional a integração económica.

O Cabo Verde Investment Fórum poderá ser uma oportunidade para resolver, de acordo com o presidente da Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS), Jorge Spencer Lima. Este responsável acredita que parte dos problemas que os privados do país atravessam tem que ver com o acesso ao financiamento.

“Nós não podemos continuar a ter um mercado onde os bancos dizem ter excesso de liquides e há falta de acesso ao financiamento. Continuamos a ser confrontados com taxas elevadas de juro e excesso de liquidez, aparentemente contraditórios, que só acontecem num mercado pequeno como a Cabo Verde. É preciso encontrar soluções e não podemos continuar chorar sobre o leite derramado e não procurar saídas. Neste quadro o Cabo Verde Investment Fórum é uma das propostas de solução para resolver parte deste grande problema que tem a ver com o financiamento do setor privado.

O presidente da CCISS diz que o governo está no rumo certo e aponta a criação do Por- garante, da Pró-capital, o recente lançamento do eco sistema de financiamento, que já começa a dar frutos, e a discussão na Assembleia Nacional do Fundo Soberano que conta ”com o poio de 100% das Camaras de Comercio do setor privado”, para alguma medidas tomadas pelo executivo cabo-verdiano para colmatar o défice de acesso a financiamento.

Para Jorge Spencer Lima, neste momento, existe um programa de financiamento da economia que começa com as micro, PME e grandes empresas, na dimensão de Cabo Verde, “estamos a observar a existência de uma politica clara que está a ser executada pelo governo, mas temos de pensar que Roma não foi feita em só dia”, mas que estão ser tomadas medidas para fazer as coisas acontecerem.

O presidente da CCISS cita como exemplo o ranking do Doing Bisnes que coloca Cabo Verde no 122º lugar da classificação e a meta do governo de colocar o país na 50º posição, para afirmar que “estamos muito mal”. “Há um longo caminho a percorrer e a melhoraria do ecossistema de financiamento faz parte desta caminhada, assim como melhor os custos de fatores que são elevados, como são as casos das ligações marítimas e aéreas”, referiu Jorge Spencer Lima.

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