Cabo Verde reabre fronteiras internacionais na segunda quinzena de agosto

“Nós estamos a trabalhar para durante o mês de agosto e, provavelmente, na segunda quinzena, fazer essa abertura gradual com outros países”, disse, em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, o ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde, Carlos Santos.

Cabo Verde vai retomar voos comerciais internacionais na segunda quinzena de agosto e “muito provavelmente” vai exigir a apresentação de testes antecipados à covid-19 aos visitantes e turistas, disse esta quarta-feira, à agência Lusa, o ministro do Turismo.

“Nós estamos a trabalhar para durante o mês de agosto e, provavelmente, na segunda quinzena, fazer essa abertura gradual com outros países”, disse, em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, o ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde, Carlos Santos.

Cabo Verde não recebe voos comerciais internacionais desde 19 de março, devido à pandemia da covid-19, tendo inicialmente anunciado a retoma em 30 de junho, sem obrigar à apresentação de testes antecipados à doença para quem chega do exterior.

Entretanto, com o recrudescer de casos, tanto na Europa como nas ilhas, a retoma dos voos comerciais foi adiada para agosto, mas ainda sem um dia exato, com o ministro a garantir que não será nos primeiros 15 dias do próximo mês.

“Mas, tendo em conta os vários fatores que vão surgindo quase diariamente, nós queremos fazer esse anúncio com base em dados certos, corretos, para que consigamos apresentar as datas corretas. Muito provavelmente, até 15 de agosto, por enquanto não”, previu Carlos Santos.

Até lá, segundo o ministro, o Governo cabo-verdiano está a preparar um dossier com todas as medidas sanitárias e legislativas que estão a ser implementadas no país, e que serão apresentadas à União Europeia, maior mercado emissor de turistas ao arquipélago.

A União Europeia definiu como um dos critérios para abrir as suas portas a países terceiros terem pelo menos 20 casos por cada 100 mil habitantes em duas semanas seguidas, mas Cabo Verde tem atualmente 78 casos, um valor muito acima das exigências europeias.

Apesar dos critérios estabelecidos pela União Europeia, o ministro disse que uma das vantagens do arquipélago é que algumas ilhas têm uma incidência menor e outras já não têm casos ativos, como São Vicente ou Boa Vista, o que poderá levar a uma abertura gradual dos destinos.

“E aí há também uma hipótese de conseguirmos junto da União Europeia demonstrar que algumas ilhas têm uma incidência maior e outras nem por isso e pode ser uma saída para fazer uma abertura gradual, por ilhas”, sustentou o governante.

Carlos Santos disse que o dossier será “brevemente apresentado” junto da UE e dos embaixadores dos países que interessam a Cabo Verde, para o país demonstrar que “está a fazer o seu trabalho de casa” e que está em linha com aquilo que são as boas práticas internacionais.

“Por isso, estamos a fazer esse trabalho e, muito brevemente, nós pretendemos apresentar esses dados. Creio que, conjugado essas medidas e apresentação das mesmas, nós conseguiremos chegar a bom porto, que é abertura do destino”, perspetivou.

O ministro disse ainda que o Governo quer “ter a certeza” que a saúde dos cabo-verdianos e de quem visita o país não esteja em perigo, daí ter elaborado um plano de segurança sanitária, que já está na sua fase final, e que consiste em preparar os hotéis, aeroportos e restaurantes, com medidas que dizem respeito ao distanciamento físico e social e à higienização.

“Por isso é que há aqui a necessidade de sempre ir fazendo ajustamentos a nível das nossas decisões para que a decisão seja correta e segura e que possa dar alguma tranquilidade àquele que está cá, mas também para àquele que nos visita”, reforçou Carlos Santos.

Entretanto, a UE estima que a reabertura total das suas fronteiras externas aos países terceiros “demore algum tempo”, não esperando que isso aconteça ainda este ano, e aconselha os Estados-membros a não tomarem decisões unilaterais.

Se isso vier a acontecer, o ministro disse que poderá atrapalhar os planos de Cabo Verde, tendo em conta que o turismo é um setor “muito vulnerável” e que depende das decisões de outros países e não apenas do Governo.

“Este tipo de declarações obviamente que introduz algum receio, algum medo naquilo que é o potencial turista, o potencial visitante. Por isso, hoje nós temos sim de fazer o nosso trabalho de casa, que é preparar o país, o destino com medidas sanitárias que deem tranquilidade e segurança aquele que nos irá visitar, e ir fazendo tudo a nível da promoção para que o país recebe os turistas”, disse.

Se no primeiro anúncio para reabertura das fronteiras não era exigido teste à partida, o ministro disse que desta vez a “tendência é nesse sentido” de testes antes das viagens, tendo em conta que esta posição de obrigatoriedade foi evoluindo ao longo dos últimos meses, e agora é considerada essencial para impedir a cadeia de contágio.

O ministro deu ainda como exemplo a exigência de testes de virologia nos dois sentidos no corredor aéreo aberto por Portugal e Cabo Verde, que começa a funcionar em 01 de agosto.

“O Governo cabo-verdiano foi evoluindo neste sentido e, mediante aquilo que é o aconselhamento, o parecer técnico do Ministério da Saúde, que também reflete aquilo que são os aconselhamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS), vai fazendo também a sua avaliação, no sentido de ir tomando decisões conforme são as boas práticas internacionais”, disse.

Cabo Verde tem um acumulado desde 19 de março de 2.354 casos de covid-19 e 22 mortos.

 

RIPE // VM

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