Cabo Verde recebe 24 mil vacinas da AstraZeneca e quer 70% de vacinação este ano

“Estamos fortemente empenhados para até ao final do ano conseguirmos vacinar mais de 70% da população, que garante a imunidade de grupo e todo o esforço está sendo feito nesse sentido”, previu o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.

Fernando de Pina / Lusa

Cabo Verde recebeu hoje o primeiro lote de 24 mil vacinas conta a covid-19 da AstraZeneca e começa a campanha em 19 de março, esperando chegar a 70% de vacinação ainda este ano, disse o primeiro-ministro.

“É um dia histórico para Cabo Verde. É uma grande satisfação termos as vacinas, os primeiros lotes já aqui em Cabo Verde, na cidade da Praia”, afirmou Ulisses Correia e Silva, no ato oficial da chegada das vacinas ao aeroporto da Praia, num voo da TAP.

Segundo o chefe do Governo, são no total 24 mil doses da AstraZeneca, de um total de 108 mil, ao abrigo da Covax, iniciativa fundada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa garantir uma vacinação equitativa contra o novo coronavírus.

Ulisses Correia e Silva disse que brevemente vão chegar mais 80 mil doses da vacina da mesma farmacêutica e já no dia 15 de março chegam as 5.850 doses da Pfizer, também ao abrigo do mesmo mecanismo internacional.

“Estamos fortemente empenhados para até ao final do ano conseguirmos vacinar mais de 70% da população, que garante a imunidade de grupo e todo o esforço está sendo feito nesse sentido”, previu.

A percentagem prognosticada hoje pelo primeiro-ministro é o dobro da avançada em 25 de fevereiro pelo ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, em entrevista à Lusa, e mais do triplo da taxa de cobertura do plano de vacinação, aprovado em fevereiro, de 20% anual.

Na altura, o ministro explicou que essa previsão de cobertura, que consta do plano – apontando vacinar 60% da população até 2023 -, foi estabelecida com base na informação atual, face à falta de disponibilidade de vacinas global, e como precaução.

Questionado hoje sobre o facto de vários países europeus terem suspendido a administração da vacina da AstraZeneca, o primeiro-ministro cabo-verdiano disse que não há evidências científicas de que há uma relação entre casos de forte coagulação sanguínea e a sua aplicação.

“Estamos a seguir aquilo que são as normas gerais recomendadas pela OMS e não há nenhuma contraindicação relativamente ao uso da vacina da AstraZeneca”, salientou.

A campanha de vacinação vai arrancar em 19 de março, em todas as ilhas, precisou, garantindo que vai ser feita em primeiro lugar aos profissionais de saúde.

Até lá, Ulisses Correia e Silva garantiu que o país tem condições de armazenamento não só na cidade da Praia, mas também no resto do país, “para serem garantidas todas as condições de uma boa aplicação da vacina”.

O primeiro-ministro informou que os Estados Unidos vão disponibilizar um avião que tem estado a operar na ilha de São Vicente para ajudar no transporte entre as ilhas, em parceria com a Guarda Costeira cabo-verdiana.

“Para garantirmos uma distribuição segura e também garantindo a qualidade e a manutenção das vacinas”, completou o chefe do Governo no ato oficial na madrugada de hoje, que contou ainda com a presença do ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, do representante da OMS no país, Hernando Agudelo, e representantes de outros países e organismos internacionais.

Com a chegada das vacinas no país, o primeiro-ministro sublinhou que não se deve relaxar. “É preciso continuar a cumprir as medidas de proteção, relativamente ao uso de máscaras, higienização e distanciamento, para podermos fazer um bom combate. A vacina é uma das componentes deste combate”, defendeu.

Angola tornou-se o primeiro país de língua portuguesa em África a receber vacinas contra a covid-19 (624.000 doses) ao abrigo da Covax, que pretende entregar 90 milhões de doses de vacinas no continente africano até final deste mês.

Até ao final de maio, o planeamento prevê a entrega de 237 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca e de 1,2 milhões de doses da vacina Pfizer.

Fundada pela OMS, em parceria com a Vaccine Alliance (Gavi, presidida pelo antigo primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso) e a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), a Covax pretende garantir a vacinação a 20% da população de 200 países e tem acordos com fabricantes para o fornecimento de dois mil milhões de doses em 2021 e a possibilidade de comprar ainda mais mil milhões.

O plano nacional de introdução e vacinação contra a covid-19 em Cabo Verde, prioriza ainda pessoas com doenças crónicas, idosos, professores, profissionais hoteleiros, ligados ao turismo e das fronteiras, polícias, militares e bombeiros.

Para o efeito, “será necessária a aquisição de 267.293 doses” da vacina para a população alvo prioritária, num total de 111.372 pessoas, “e pretende-se vacinar até 2023 um total de 60% da população, sendo 20% em 2021, 20% em 2022 e 20% em 2023”.

Até quinta-feira, Cabo Verde registava um acumulado de 15.932 casos de covid-19 diagnosticados desde 19 de março de 2020, e 155 óbitos, contabilizando ainda 489 casos ativos.

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