“Caixa opera com margens de 1% a 2% contra 15% do gel desinfetante”, diz Paulo Macedo

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos considera que o banco público está apto para financiar pequenas, médias ou grande empresas. “Ao longo dos últimos anos, a Caixa e os seus trabalhadores trabalharam para dobrar o nosso Bojador”, afirmou.

Cristina Bernardo

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse esta sexta-feira que o banco público está apto para financiar pequenas, médias ou grande empresas, mas alertou que opera num contexto de pandemia e de baixas taxas de juro que “impactam fortemente em baixa a rentabilidade dos capitais próprios, com margens de 1% a 2%, contra margens do gel desinfetante de 15% e de outros produtos que chegam a atingir alguns milhares por semana”.

Ainda assim, a CGD “tem um capital robusto, liquidez suficiente e vontade”, começou por dizer Paulo Moita de Macedo, na abertura do primeiro evento da série “Encontros Fora da Caixa” que decorre na Culturgest, em Lisboa, e subordinada ao tema “No Princípio… era o Pensamento”.

“Ao longo dos últimos anos, a Caixa e os seus trabalhadores trabalharam para dobrar o nosso Bojador, alterámos estruturalmente o banco em termos de risco e fizemos o turnaround do banco com quatro anos de resultados positivos após seis de negativos e no final deste ano devemos absorver os prejuízos de 2016, que foram significativos [1,8 mil milhões de euros]”, referiu ainda o banqueiro.

O encontro contou ainda com a intervenção do conselheiro do Governo António Costa e Silva, para quem a banca “tem um papel fundamental e indispensável” na recuperação económica do país, apesar de ainda estar marcada. “Se [a banca] for cada vez mais forte é essencial para financiar as empresas e a economia”, sustentou.

Numa entrevista conduzida pelo “Jornal de Negócios”, o presidente da Partex admitiu ainda que não ficou surpreendido com a adesão ao processo de consulta pública da Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica 2020-2030, que contou com 1.153 contributos. “As pessoas quando veem um problema querem participar [na solução]”, referiu.

No entanto, o autor do plano de recuperação nacional para a próxima admite que Portugal “tem uma grande tradição de planos na gaveta”. “Se isso acontecer é uma tragédia”, avisou, reiterando que a sua ambição não passa por ter um cargo público.

“Temos de ter uma combinação virtuosa entre o mercado e o Estado. Se não a tivermos vamos, muito provavelmente, falhar no futuro”, explicou António Costa e Silva, que, das ideias apresentadas ou aplaudidas na consulta pública, destacou a criação de um cluster da indústria petroquímica, a aposta na eficiência energética, o desenvolvimento da Universidade do Atlântico nos Açores ou tornar o país na capital da Inteligência Artificial.

Já o CEO da Caixa caracterizou o documento de “um binómio de pensamento e de ação”. Trata-se de formular uma visão para Portugal, que incorporará uma estratégia de recuperação económica durante a crise provocada pelo coronavírus, mas permitirá ir mais além e servirá de referencial para intensificar o desenvolvimento num país e num mundo pós-pandemia”, adiantou Paulo Macedo.

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