Quais são as propostas dos candidatos à Câmara de Lisboa que prometem mexer com a economia da capital?

Na generalidade dos casos os candidatos defendem um maior investimento na habitação e redução de taxas municipais. Mas também há ideias para atrair empreendedores e até “choques fiscais” na Câmara de Lisboa.

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Mário Cruz/Lusa

As campanhas para as eleições autárquicas estão prestes a terminar e os portugueses vão escolher neste domingo quais serão os seus próximos autarcas. Conheça as propostas dos candidatos à Câmara de Lisboa que vão influenciar a economia da capital.

Fernando Medina: Programa Renda Acessível, mais creches e autocarros

O atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato do PS, Fernando Medina, explicou a forma como vai fazer mexer a economia lisboeta durante apresentação do seu programa de recandidatura à Câmara de Lisboa.

Medina assumiu o compromisso de prosseguir o Programa Renda Acessível (PRA) e estabeleceu como meta para os próximos quatro anos um mínimo de cinco mil novos fogos ao abrigo do PRA, com rendas que não ultrapassem 30% do rendimento líquido das famílias. Segundo o autarca, “o pilar de renda acessível tem de ser de compensação e fora das regras de mercado”.

O candidato do PS e do Livre também disse que vai aumentar em 900 o número de vagas em creches. E prometeu gratuitidade nas creches, medida avançada pelo Governo esta semana. Agora, as famílias do segundo escalão não vão pagar creche.  Quanto aos autocarros, o autarca avançou que será efetuado um reforço expressivo do serviço noturno e da rede da madrugada da Carris, com 350 novos autocarros.

Carlos Moedas, as startups e a economia azul

Segundo o programa eleitoral de Carlos Moedas, o candidato apoiado por uma coligação de direita que conta com PSD, CDS, PPM, MPT e Aliança pretende criar, se for eleito, uma “fábrica de unicórnios”. O objetivo do candidato é ter um espaço para “potenciar as startups lisboetas para que se possam tornar unicórnios”. Nesta área, Moedas também quer que exista um Balcão Único para os empreendedores e investidores em Lisboa, “fundindo e reforçando entidades fragmentadas como a Start-Up Lisboa, a Invest Lisboa e a Direção de Economia da CML, trabalhando em articulação com entidades privadas”.

Relativamente à economia azul,  o candidato à Câmara de Lisboa quer construir na cidade as “infraestruturas necessárias para a tornar [Lisboa] uma capital global da economia do mar”. O foco estará nos “sectores mais amigos do ambiente”.

O candidato apoiado pela coligação de centro-direita também se compromete, em caso de ser eleito, numa descida de impostos municipais a chegar a 5%.

Beatriz Gomes Dias e a substituição de alojamento local por rendas controladas

Transportes gratuitos e substituição de alojamento local por rendas controladas são algumas das propostas da candidata do Bloco de Esquerda, Beatriz Gomes Dias, que prometem mexer com a economia da cidade de Lisboa.

Na quinta-feira, na reta final da campanha, Beatriz Gomes Dias destacou, durante um comício, que prometia “casas a preços que as pessoas possam pagar, pela reabilitação e requalificação dos bairros municipais, centros de saúde para as populações e respostas e apoios para a população sénior”. Pediu uma Lisboa com “menos carros e mais e melhores transportes públicos, mais cultura em todas as freguesias”.

Por sua vez, ao “Público” a candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa disse querer investir 100 milhões de euros na compra de 5% do alojamento local atualmente existente na cidade para o colocar no programa público de rendas controladas. Beatriz Gomes Dias também quer transportes gratuitos para “as pessoas que circulem na cidade”, como escreveu no Twitter a 22 de setembro.

João Ferreira quer mais casas e criar bolsa de municipal de fogos

A principal proposta do candidato apoiado pela CDU (coligação PCP e PEV) na área da habitação é a disponibilização de mais casas de arrendamento acessível. Como tal, João Ferreira sugeriu, na apresentação do seu programa de campanha, uma “bolsa municipal de fogos para arrendamento a custos acessíveis”.

A CDU quer que “no prazo de seis meses após o início do mandato”, seja feita “uma lista de património edificado disperso nas 24 freguesias”, disse João Ferreira.

Bruno Horta Soares e a redução de “taxinhas”

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal anunciou na apresentação da sua candidatura que algumas das suas propostas passam por “reduzir todos os impostos, taxas e taxinhas” e aumentar a devolução do IRS aos munícipes de 2,5% para 5%. Das várias medidas fiscais que defende resultaria uma diminuição de 440 milhões de euros nas receitas da autarquia, o que Bruno Horta Soares pretende compensar com a redução do orçamento municipal.

Manuela Gonzaga: habitação acessível e cidade verde

Durante apresentação da sua candidatura, a candidata apoiada pelo PAN, Manuela Gonzaga prometeu garantir “habitação acessível para os jovens, a proteção dos cidadãos mais vulneráveis como os sem-abrigo, serviços de saúde para todos e alimentação saudável com uma opção vegetariana nas escolas”. Gonzaga também quer apostar no investimento da criação de espaços verdes e nos transportes públicos.

Património arquitetónico e arrendamento para a classe média prioritárias para Nuno Graciano

O candidato do Chega, Nuno Graciano, revelou o programa onde consta que as prioridades passam pela preservação do património arquitetónico tradicional, incremento dos programas de arrendamento para a classe média e creches a preços acessíveis. Também defendeu que se fosse eleito iria “repensar toda a rede de ciclovias”.

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