Candidatura presidencial de João Ferreira “será um espaço de luta comum”

João Ferreira apresentou a candidatura presidencial pelo PCP e explicou que “num tempo em que tantos não vêem nem ouvem o futuro falar-lhes ao ouvido, mais necessário se torna saber organizar e abrir esse futuro, transformar inquietação em luta converter o desassossego em confiança”.

O eurodeputado do PCP João Ferreira apresentou a sua candidatura a Presidente da República esta quinta-feira, 17 de agosto e garantiu que a sua corrida nas eleições presidenciais “será um espaço de luta comum”.

“A candidatura que assumo e hoje aqui apresento a Presidente da Republica é e será um espaço de luta comum da juventude, dos trabalhadores, do povo”, explicou João Ferreira que começou a sua intervenção por recordar os escritores José Saramago e Mário Castrim.

“Num mundo onde se tenha acabado a esperança, como o retratou Saramago no seu ensaio sobre a cegueira, deixamos de olhar para o futuro, deixamos de o ver, a cegueira também é isto”, dizia. Recordando Castrim, realçou que “a esperança é a maneira como o futuro fala ao nosso ouvido”, citou o candidato presidencial.

João Ferreira explicou ainda que “num tempo em que tantos não vêem nem ouvem o futuro falar-lhes ao ouvido, mais necessário se torna saber organizar e abrir esse futuro, transformar inquietação em luta converter o desassossego em confiança”.

No seu discurso, o candidato apoiado pelo Partido Comunista Português (PCP) dirigiu-se “a todos, independentemente das escolhas eleitorais que fizeram no passado. A todos apelo: aos que vivem do seu trabalho e que sentem com o seu empenhado esforço que poderiam viver melhor”.

“Às mulheres penalizadas por múltiplas desigualdades, descriminação e violências no trabalho, na família e na sociedade, aos jovens que não abdicam de serem felizes, aos reformados e idosos que aspiram a uma vivência gratificante no plano social e pessoal depois de uma vida de trabalho”, assegurou João Ferreira sobre a candidatura que diz assumir “com honra, com determinação, com consciência”.

O discurso do eurodeputado ficou marcado também pela sua visão em relação às questões em torno da Covid-19. “Impuseram-nos estados de emergência que nada tinham que ver com a observância de normas que a população já cumpria e continuou a cumprir depois de abandonados, mas visavam restringir o protesto e a luta de abusos”, frisou João Ferreira.

Na opinião de João Ferreira, “os efeitos da pandemia são inseparáveis da formação socioeconómica que produzem, no capitalismo que tudo mercantiliza incluindo a saúde”, destacando que a “Covid-19 além de nos confrontar com questões novas, agravou consideravelmente velhos problemas”.

“Temos o crescimento do desemprego a ser usado como chantagem para aumentar a exploração, a precariedade laboral , o ataque aos salários, a desregulação dos horários, o incremento do ritmos e a degradação das condições de trabalho, o aumento da idade de reforma , o desinvestimento nos serviços públicos”, apontou o candidato à Assembleia da República.

João Ferreira tem 41 anos e é licenciado em Biologia. Além de ser deputado do PCP no Parlamento Europeu e vice-presidente do grupo confederado da esquerda unitária europeia, é ainda vereador na Câmara Municipal de Lisboa. Já foi distinguido pelo Instituto Marquês de Vale Flor e diretor da revista “Portugal e União Europeia”.

 

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