Catarina Martins pede demissão da comissão diretiva do Fundo de Resolução e da administração do Novo Banco

A proposta da líder do Bloco de Esquerda surge depois de o jornal “Público” ter noticiado que o Novo Banco vendeu a seguradora GNB Vida com 70% de desconto a um gestor condenado por corrupção. Catarina Martins lembra que o Estado tem participação no Novo Banco e “não pode ficar parado a ver o assalto a acontecer”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, exige a demissão da comissão diretiva do Fundo de Resolução e a substituição da administração do Novo Banco, depois de ter sido noticiado esta segunda-feira mais um negócio ruinoso do banco liderado por António Ramalho. A líder bloquista lembra que o Estado tem participação no Novo Banco e sublinha que o Governo “não pode ficar parado a ver o assalto a acontecer”.

“A regra é limpar bancos privados com dinheiros públicos e voltar a privatizar. Ousar diferente seria catastrófico. E, se Bruxelas queria e aprovava o negócio, nada podia ser questionado. E agora? Quem paga tamanha irresponsabilidade?”, escreveu Catarina Martins, na sua conta oficial no Facebook.

A publicação da líder do BE surge depois de o jornal “Público” ter noticiado esta segunda-feira que o Novo Banco vendeu, em outubro de 2019, a seguradora GNB Vida ao Apax, um fundo de um milionário condenado nos Estados Unidos por corrupção, por um preço muito abaixo do seu valor contabilístico, inscrito no balanço de 30 de junho daquele ano. De acordo com o “Público”, a GNB Vida terá sido vendida com um “desconto” de 68,5% ao Apax.

O “Público” dá ainda conta de que a operação gerou uma perda de 268,2 milhões de euros para o Novo Banco e serviu para António Ramalho “justificar novo pedido de injeção de dinheiros públicos” do Fundo de Resolução.

Quanto ao comprador da seguradora, que passou depois a ser conhecida como Gama Life, trata-se de Greg Lindberg, um milionário do setor dos seguros que foi condenado este ano por fraude, corrupção e evasão fiscal. Greg Lindberg foi ainda acusado de pagar ao Partido Republicano para a sua empresa, a Global Bankers, ser beneficiada.

Catarina Martins recorda que, em 2017, a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star foi vista como “um sucesso”, tal como “em 2014 se garantia que seria a resolução do BES”. “Vale a pena lembrar que não tinha de ser assim. Mas as alternativas à venda não só foram chumbadas por PS, PSD e CDS como foram sempre tratadas no espaço público como pura irresponsabilidade”, atira a coordenadora bloquista.

“Agora já todos chamam à Lone Star um fundo abutre. Assim, sem aspas, como o Público hoje escreve e bem. Quando o dissemos, mal se soube do seu interesse no Novo Banco, ouvimos que era puro preconceito do Bloco”, acrescenta.

Tendo em conta o processo escolhido para o Novo Banco, o BE recomenda “medidas imediatas” para “conter custos e garantir transparência”. Entre as medidas propostas estão a demissão da comissão diretiva do Fundo de Resolução e a substituição da administração do Novo Banco. O BE pede ainda para se “investigar tudo, responsabilizar e retirar todas consequências” da gestão do BES/Novo Banco.

O BE quer ainda que seja dado “ao Parlamento acesso aos dados preliminares da auditoria da Deloitte” sobre a gestão do BES/Novo Banco, referente ao período de 2000 a 2018, nomeadamente sobre os créditos problemáticos e venda de imóveis com desconto, que só deverá chegar no final de agosto. Sugere ainda que seja “denunciado o contrato com a Deloitte (que não acabou a auditoria em tempo, mesmo depois da prorrogação prazo e assim perde credibilidade)” e que seja “o Banco de Portugal e o seu novo governador a assumir essa tarefa”.

Agora já todos chamam à Lone Star um fundo abutre. Assim, sem aspas, como o Público hoje escreve e bem.Quando o…

Posted by Catarina Martins on Monday, 10 August 2020

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