CBRE quer conhecer mais empreendedores de imobiliário

A consultora quer trazer novas tecnologias às casas e edifícios. “Ainda não vimos grandes soluções para coliving”, admite Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal, ao Jornal Económico. Na edição de 2018 foram as portuguesas Alfredo, Spott e Infraspeak que se destacaram.

A maioria dos residentes e proprietários (70%) quer aumentar o investimento em tecnologia imobiliária nos próximos anos e 30% das empresas considera a construção inteligente um fator na escolha de um edifício, segundo um relatório da consultora CBRE. Neste processo de digitalização do imobiliário, as startups têm uma palavra a dizer, e soluções “proptech” para apresentar.

Consciente do impacto dos empreendedores no futuro deste mercado, a empresa norte-americana lançou a terceira edição do seu concurso europeu de inovação, designado “Proptech Challenge”. A competição para ideias e startups que possam, direta ou indiretamente, trazer inovação e disrupção ao setor imobiliário envolve agora seis países, e Portugal está, pelo segundo ano, na lista.

“O objetivo é estar a par da tecnologia que é desenvolvida no setor imobiliário, melhorar os sistemas de gestão das cidades e edifícios e a experiência dos utilizadores na procura e uso dos imóveis. É um campo aberto para a tecnologia que se aplique nos edifícios”, disse Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal, ao Jornal Económico.

O concurso é, para a multinacional, uma oportunidade para renovação do mercado residencial e de arrendamento, e sobretudo do coliving, uma área na qual a empresa ainda não viu “grandes soluções”. Como tal, Francisco Horta e Costa quer ver mais do que “os projetos óbvios de realidade aumentada”.

“Portugal está a viver um momento interessante no mercado imobiliário. Assistimos à reabilitação de muitos edifícios, o parque imobiliário estava degradado, mas ainda há muito por fazer. Hoje começa a ser muito explorada a habitação para a classe média e média baixa. Portanto, também é uma boa notícia que os promotores estejam mais interessados nas periferias das cidades”, referiu o gestor ao semanário, mostrando-se otimista em relação aos próximos anos.

No estudo “CEE Proptech Index 2019”, divulgado esta terça-feira, a CBRE dá o exemplo do edifício “The Edge”, em Amesterdão, onde o principal inquilino, a consultora Deloitte, dá aos colaboradores uma app que lhes atribui espaços de trabalho que melhor atendam às preferências, permitindo controlar, por exemplo, a iluminação e ajustar a temperatura do espaço, redirecionar pessoas, identificar o caminho para a sala de reunião ou mostrar à máquina do café que o funcionário “X” gosta do café “Y”.

“O desafio de unificar os serviços numa plataforma é extenso e pode ser difícil criar uma solução para um edifício independente. Ao comparar com outros mercados, como financeiro, médico ou do marketing, torna-se claro que o setor imobiliário precisa de uma padronização ou de uma plataforma que facilite a integração mais fácil dos serviços, e isso só pode ser feito através da cooperação dos principais agentes nos mercados locais”, pode ler-se no documento.

Inscrições para a competição europeia terminam a 11 de novembro

Assim, a consultora desafia os ‘idiotas’ e empreendedores a candidatarem-se, até 11 de novembro, ao “Proptech Challenge 2019”, mesmo que as suas soluções tenham, mais tarde, de vir a ser readaptadas à realidade do mercado imobiliário ou à da própria CBRE. Os vencedores irão participar no programa de aceleração da empresa, trabalhar num laboratório de desenvolvimento de produto com os escritórios da CBRE, fazer um roadshow pela Alemanha, Espanha, Irlanda, Itália, Portugal ou Reino Unido e receber 20 mil euros (startups) ou 10 mil euros (ideia).

No ano passado, houve 180 participantes e duas dezenas de finalistas. As startups portuguesas que chegaram à final foram a Alfredo, a Spott e a Infraspeak, mas as vencedoras do concurso acabaram por ser as espanholas UDE (Urban Data Eye) – com um software para instar em câmaras de vídeo e medir a jornada do cliente – (a mais impactante), e LOLOLO – com uma aplicação web para comparar localizações comerciais –, que arrecadou o título de mais disruptiva. Durante o concurso, a CBRE tornou-se até cliente da Alfredo, que desenvolveu um algoritmo para fazer avaliações automáticas de imóveis.

Já na edição anterior (que ainda não era aberta a Portugal) foram as espanholas Aura, de Pablo Garnica, Miguel Álvarez e Pablo Jodar, e Daysk.com, de Julien Palier e Benoit Guilloz, que conquistaram os prémios de maior disrupção e melhor iniciativa com mais impacto por uma startup.

Os concorrentes de 2019 serão avaliados por um painel de jurados, do qual fazem parte Francisco Horta e Costa, Miguel Paiva Couceiro, diretor de desenvolvimento da CBRE, Paulo Soeiro de Carvalho, ex-diretor municipal de Economia e Inovação na Câmara Municipal de Lisboa, e Susana Sequeira, fundadora da MSTF Partners e investidora do programa Shark Tank Portugal.

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