CDS-PP pondera expulsão de líder de corrente de opinião interna após participação na manifestação do Chega

O Conselho de Jurisdição do CDS-PP, órgão que funciona como uma espécie de ‘tribunal’ interno do partido, já recebeu uma queixa contra o antigo membro da concelhia de Lisboa Pedro Borges de Lemos, que pode levar a uma simples advertência ou à expulsão do CDS-PP.

Twitter/Chega

O democrata-cristão Pedro Borges de Lemos, líder da corrente de opinião CDSXXI, pode vir a ser sancionado pelo Conselho de Jurisdição do CDS-PP por ter participado na ‘contramanifestação’ promovida pelo Chega, em Lisboa, no passado domingo. O órgão que funciona como uma espécie de ‘tribunal’ interno do CDS-PP já recebeu uma queixa contra Pedro Borges de Lemos, que pode levar a uma simples advertência ou à expulsão do partido.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, admite, em entrevista publicada esta quinta-feira pela revista ‘Visão’, que já foi apresentada queixa junto do Conselho de Jurisdição do partido e admite que possa estar em causa uma “infração” aos regulamentos do CDS-PP. “Aos políticos, a todos eles, sejam aos Venturas ou Borges de Lemos desta vida, pede-se que coloquem de parte o oportunismo e deem o exemplo”, afirmou.

De acordo com os regulamentos do CDS-PP, consultados pelo Jornal Económico, as sanções que podem vir a ser impostas pelo Conselho de Jurisdição por infração disciplinar (seja ela uma violação aos deveres estatutários dos militantes ou violação das normas constantes dos estatutos e regulamentos do partido, como é o caso de Pedro Borges de Lemos) podem ir de uma simples advertência ou repreensão à suspensão ou expulsão do partido.

Pedro Borges de Lemos pode ainda ser punido com a “suspensão do direito de eleger e ser eleito até dois anos” por violar os deveres dos membros do partido, que devem “defender a unidade e promover o fortalecimento” do CDS-PP e acatar as diretrizes dos órgãos do partido.

Sobre a ‘contramanifestação’, para a qual o presidente demissionário e deputado único do Chega, André Ventura, convidou todos os líderes dos partidos de direita, Francisco Rodrigues dos Santos já tinha recusado o convite, dizendo que era “um insulto” juntar centenas de pessoas nas ruas “em plena crise pandémica”.

“Não vale tudo para responder à retórica da extrema esquerda e à sua visão do país que só existe na cabeça dos seus apaniguados”, sublinhou o líder democrata-cristão. Disse ainda que “a verdadeira direita que o CDS representa não cai nas ratoeiras ideológicas da extrema-esquerda para se afirmar”.

Contrariando a orientação do partido, o advogado Pedro Borges de Lemos – que já admitiu a hipótese de vir a votar em André Ventura nas presidenciais do próximo ano contra Marcelo Rebelo de Sousa, que, ao que tudo indica, deverá anunciar brevemente a recandidatura ao Palácio de Belém – juntou-se à concentração do Chega e esteve, durante toda a manifestação, ao lado de André Ventura. No final, teve inclusive direito à palavra.

A situação apanhou de surpresa vários democratas-cristãos, incluindo o deputado João Gonçalves Pereira. Nas redes sociais, o deputado do CDS-PP escreveu que “a presença e a intervenção do Pedro Borges de Lemos no comício do Chega terá que ter obrigatoriamente uma consequência rápida do CDS-PP”. “É muito grave o que se passou”, referiu.

Também o ex-deputado do CDS-PP Francisco Mendes da Silva, num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no “Jornal de Negócios”, acusa Pedro Borges de Lemos de ser “alguém a querer fazer pela vidinha, aos ombros de uma agência de comunicação, a escrever umas vacuidades neste e naquele jornal, tudo se resumindo à seguinte tese: se não pego eu nos destinos da pátria, a pátria seguirá o seu previsível caminho pela sarjeta da História”.

Pedro Borges de Lemos tem sido uma das vozes críticas em relação à direção de Francisco Rodrigues dos Santos, que apoiou no 28.º Congresso do partido, em janeiro. O advogado já anunciou que sairá do partido, caso o líder democrata-cristão ceda à alegada pressão do histórico militante António Lobo Xavier para que o CDS-PP apoie a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República.

Estive hoje ao lado do André Ventura na concentração: " Portugal não é racista ".Sei que no CDS estão todos muitos…

Posted by Pedro Borges de Lemos on Sunday, 2 August 2020

Ler mais
Recomendadas

PCP identifica seis cadeias de dependência externa que implicam “colonização económica e política”

Turismo, grande distribuição e a aposta no lítio e no hidrogénio não foram esquecidos na análise (muito crítica) que os comunistas fazem à economia portuguesa nas Teses que servirão de base ao XXI Congresso, que decorrerá entre 27 e 29 de novembro.

Hamas e Fatah chegam a acordo para a realização de eleições daqui a seis meses

Depois de 15 anos sem atos eleitorais, na sequência dos confrontos que resultaram da tentativa de coligação em 2006, as duas principais fações palestinianas procuram dar sinais de união numa altura em que o restante mundo árabe parece aberto à normalização dos laços com Israel.

Presidenciais: Paulo Pedroso na “estrutura organizativa” da candidatura de Ana Gomes

O ex-ministro do Trabalho Paulo Pedroso vai integrar a “estrutura organizativa” da candidatura de Ana Gomes a Presidente da República, confirmou hoje a própria numa declaração à agência Lusa.
Comentários