O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse hoje estar “mais livre” agora para decidir o seu futuro depois de sair do banco central, mas não respondeu diretamente se pretende voltar à política.
Em entrevista à RTP um dia depois de o Governo ter confirmado que não o reconduzirá no cargo de governador e que Álvaro Santos Pereira será o seu sucessor à frente do banco central, Mário Centeno disse ser uma pessoa livre e independente, e que assim continuará a ser.
Questionado se está disponível para voltar à política, Mário Centeno não deu uma resposta clara.
Lembrou que ofereceu “dez anos de serviço público” e considerou ser necessário ter bons quadros no serviço público. “Para o bem do país que ou respeitamos as pessoas que se dedicam ao serviço público – já agora, as boas – ou vamos ter pessoas nesse serviço público que levam oito anos a fazer um curso de quatro, sete anos a fazer um curso de cinco, têm médias inferiores àquelas que nós gostaríamos de ter nestas funções”, disse.
“Sou uma pessoa livre. Nasci num país que não era livre – tornou-se livre, democrático. Essa liberdade não pode ser posta em causa”, continuou, sem fechar a porta a um regresso à política.
“Eu hoje sou mais livre do que era ontem. E continuo livre e a pensar pela minha cabeça”, afirmou.
Ao ser questionado se, relativamente à política, diria “Desta água não beberei” ou “O futuro a Deus pertence”, Centeno optou pela segunda hipótese. “Esse aforismo popular do ‘futuro a Deus pertence’ – enfim, não tendo eu necessariamente raízes muito profundas, religiosas – é bastante mais adequado neste momento”, respondeu.
Perante a afirmação de que, com esta resposta, a porta está aberta a várias possibilidades, entre elas a política, o atual governador e ex-ministro das Finanças reagiu apenas dizendo: “Entre elas, eu ser Mário Centeno”.
O ex-ministro do Governo de António Costa entre 2015 e 2020 foi referido no final de 2024 e início de 2025 como possível candidato à Presidência da República nas próximas eleições de 2026, mas no início do ano disse que não será candidato.
Numa entrevista à RTP a 16 de janeiro, disse que essa era uma decisão “individual e pessoal”, tomada de forma “muito amadurecida”, e que não tinha subjacente “nenhuma dimensão política”.
“Não vou ser candidato à Presidência da República, não vou apresentar nenhuma candidatura à Presidência da República, não está no meu horizonte que isso aconteça”, respondeu em janeiro, dizendo que o seu foco era a sua função de governador.
Na altura, o então líder do PS, Pedro Nuno Santos, já tinha referido vários nomes como possíveis candidatos, entre os quais o de António José Seguro, que em junho deste ano acabaria por confirmar ser candidato.
Na quinta-feira, o Governo confirmou que Centeno não será reconduzido e indigitou como novo governador o ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, atual economista-chefe da OCDE.
Santos Pereira ainda terá de ser ouvido no parlamento antes de ser designado e só deverá entrar no BdP em setembro. Até lá, Centeno continua em funções.
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