Central nuclear flutuante russa prepara-se para navegar mais de 6 mil quilómetros

A nova central é apelidada de ‘Titanic nuclear’ ou de ‘Chernobyl sobre o gelo’ pelos ambientalistas. A Rússia quer vender a outros países as centrais nucleares flutuantes.

DR Nicolai Gontar / Greenpeace / Reuters

O Governo russo prepara-se para enviar uma central nuclear flutuante numa viagem de quase 6.500 quilómetros. A central vai ser rebocada desde Kola Bay, no mar de Barents, rumo a Pevek, na região de Chukotka, no nordeste da Rússia.

O governo de Vladimir Putin pretende que a Akademik Lomonosov, com dois reatores, entre aqui em operação para abastecer de energia elétrica esta região rica em minério, onde existem várias minas, avança o The Guardian.

A central foi construída pela empresa estatal Rosatom, que pretende, no futuro, vender centrais nucleares flutuantes a outros países. A companhia já disse estar em conversações para construir uma central destas para o Sudão. Anteriormente, a única central nuclear flutuante foi uma mais pequena na zona do canal do Panamá operada pelo governo norte-americano durante a década de 60 e de 70.

Se tudo correr como planeado, a Akademik Lomonosov será rebocado ainda este mês para o porto ártico de Pevek onde dará uso aos seus reatores nucleares individuais para fornecer calor e energia limpa a residências e empresas e mineração de apoio e operações de perfuração na região de Chukotka, situada no extremo leste da Rússia.

Mas o Akademik Lomonosov não passou despercebido entre os grupos ambientalistas. A Greenpeace que caracterizou a plataforma como um “Titanic nuclear” ou “Chernobil sobre o gelo”, levantou preocupações sobre se as centrais nucleares flutuantes destinadas a fornecer energia a regiões remotas são economicamente viáveis. Outras organizações chegaram mesmo a relembrar o desastre nuclear de 1986 em Chernobyl e até os países vizinhos pressionaram (com sucesso) a Rosatom, uma empresa estatal de energia nuclear, para não abastecer  combustível nuclear na plataforma até que seja rebocado das suas fronteiras.

O Akademik Lomonosov, que demorou mais de uma década a ser construído, carrega dois reatores nucleares KLT-40S, semelhantes aos que são usados ​​nos quebra-gelos nucleares da Rússia. Os reatores usam urânio de baixo enriquecimento e são capazes de produzir 70 megawatts de eletricidade combinada, o que a Rosatom estima ser suficiente para 100 mil lares. A Rosatom também afirma que a plataforma é “praticamente inafundável” e capaz de suportar colisões com icebergs e o impacto de uma onda de sete metros, descreve o jornal britânico.

 

Fonte: Google Maps
Ler mais
Recomendadas

Quercus diz que Portugal não consegue cumprir neutralidade carbónica com exploração de lítio

Relatório sobre o impacte de emissões de CO2 da mineração de lítio em Portugal, que será apresentado na segunda-feira, aponta que, se o Governo avançar com a campanha de exploração de lítio, “Portugal não vai conseguir cumprir a neutralidade carbónica”, revela responsável da Quercus.

PAN apela à intervenção de Marcelo e António Costa sobre Amazónia

O eurodeputado do PAN – Pessoas-Animais-Natureza, Francisco Guerreiro, faz um conjunto de apelos em duas cartas abertas dirigidas ao chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao líder do executivo, António Costa.

Rússia: ‘Titanic nuclear’ começou viagem de seis mil quilómetros

A central flutuante ganhou o nome de ‘Titanic nuclear’ ou de ‘Chernobyl sobre o gelo’ pelos ambientalistas.
Comentários