CEO do Bankinter assegura que não tem interesse em comprar o Novo Banco

As moratórias em Portugal pesam mais do que em Espanha. No total da carteira, a sucursal tinha mil milhões de euros em moratórias, pesando 15% no total, divididas entre crédito hipotecário que soma 600 milhões (14% do total) e 400 milhões em crédito a empresas (18%). Bankinter descarta mais aquisições em Portugal.

María Dolores Dancausa, CEO do Bankinter, garantiu em conferência de imprensa de apresentação de resultados do terceiro trimestre, que o banco espanhol não tem interesse em comprar o Novo Banco depois de 2021. Do mesmo modo afasta qualquer interesse no EuroBic que está já à venda.

O banco espanhol revelou ainda que tem 546 milhões de moratórias de crédito à habitação em Espanha em setembro (era de 922 milhões em junho) e 14 milhões de moratórias de crédito ao consumo (era 55 milhões em junho). Isto significa 2% do total da carteira de crédito à habitação e 1% da carteira de crédito ao consumo.

As moratórias em Portugal pesam mais face a Espanha, segundo o banco. Foram mil milhões de euros, ou 15% do total da carteira em Portugal, 600 milhões são de crédito à habitação e pesam 14% e 400 milhões são de crédito a empresas e pesam 18% no total do segmento.

No que diz respeito ao Bankinter Portugal, o crédito cresceu. A sucursal em Portugal deu mais 8% de crédito face ao período homólogo do ano anterior, num total de 6,5 mil milhões de euros. Na banca de retalho comercial o valor é de 4,6 mil milhões de euros, ou um crescimento anual de 5% e na banca de empresas a subida foi de 16%, num total de 1,9 mil milhões de euros.

Os recursos de clientes em Portugal caíram 1% num ano para 4,7 mil milhões, dos quais 3,5 mil milhões são recursos fora do balanço (-2% anual).

No Bankinter como um todo, em termos consolidados, a subida do crédito num ano (incluindo o Evo Bank) foi de 6,7% para 63,3 mil milhões, e na banca de empresas a subida foi de 12% para 27,9 mil milhões de euros.

Ainda em termos consolidados o Grupo Bankinter viu os recursos de clientes subirem 9,6% para 62,6 mil milhões.

Na conta de resultados o Bankinter em Portugal anunciou um crescimento em todas as rubricas da conta de resultados: mais 10% na margem de juros, mais 11% na margem bruta e uma margem antes de provisões que cresce 60%, suportada também na contenção de custos, que diminuem 8%. Não obstante, no período em análise, o Bankinter Portugal realizou provisões no valor de 8 milhões de euros de forma a prevenir o impacto da deterioração macroeconómica o que, juntamente com o facto de a instituição ter deixado de libertar provisões, como ocorria em exercícios anteriores, se traduz num resultado antes de impostos que diminui 36%, alcançando os 33 milhões de euros.

Por seu turno, o negócio do Bankinter Consumer Finance, que opera em Espanha, Portugal e Irlanda, vê-se afetado por uma redução generalizada do consumo das famílias, consequência dos meses de confinamento e pela desconfiança face à conjuntura económica, o que levou a uma redução de 21% na nova produção de crédito em comparação com o mesmo período de 2019. Ainda assim, a carteira de crédito cresce 4% face ao período homólogo, alcançando 2.900 milhões de euros, com um rácio de morosidade de 8,2%. De referir o bom desempenho da Avantcard na Irlanda, que neste trimestre alargou a sua atividade ao negócio de hipotecas sob a marca Avant Money.

O lucro do banco Bankinter recuou 50% para 220 milhões no terceiro trimestre face a período homólogo, graças à constituição de provisões extraordinárias de 243,5 milhões de euros, para precaver a crise económica provocada pela pandemia Covid-19. As provisões totais para crédito e outras somaram 297,9 milhões.

A rentabilidade do Grupo Bankinter caiu para 7,09%.

O Bankinter em Espanha é dos bancos com melhor qualidade da carteira de crédito espelhado no baixo rácio de morosidade (NPL – Non Performing Loans), e em setembro atinge 2,51% abaixo dos 2,73% em setembro do ano passado. O banco reportou a venda de ativos problemáticos, até setembro, com um valor contabilístico de 65 milhões de euros, por 41 milhões, o que se traduziu num desconto médio da venda de ativos de 37% (percentagem de perda registada na conta de resultados). Questionado o Bankinter referiu que neste portfólio de ativos vendidos não há nem carteiras de NPL, nem imóveis em Portugal.

 

 

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