Gonçalo Regalado, CEO do Banco Português de Fomento, apresentou esta quarta-feira a segunda edição do “Conversas com Fomento”.
“Neste momento, existem mil milhões de euros para investimento, mil milhões de euros para tesouraria, que resulta de um reforço dos 500 milhões iniciais, e o BPF está a ultimar a mobilização de mil milhões de euros de investimento do Banco Europeu de Investimento, a 20 anos”, revelou esta quarta-feira Gonçalo Regalado referindo-se ao apoio à reconstrução para mitigar o impacto do mau tempo na zona centro.
O banqueiro começou por revelar o impacto do banco promocional na economia, através do crédito garantido, capital investido e dívida emitida. Esse impacto ascende a 6,5 mil milhões de euros.
O BPF quer elevar o impacto no PIB para 3%, assume a instituição sendo que em 2025 o impacto no PIB está estimado em 2,2%.
“Trouxemos Portugal da 16ª posição na Europa para a 5ª posição no ranking europeu, sendo hoje já o BPF um dos 5 bancos do top 5 europeu com um impacto de 2,2% no PIB”, disse o CEO.
Balanço de 2025
Entre as principais conquistas e impactos em 2025 estão 5,7 mil milhões de euros de montante de financiamento com Garantias BPF. O banco fala no “melhor ano de sempre nas garantias contratadas, exceto ano das linhas Covid (ano em que foi de 9,08 mil milhões)”.
Mas também a execução do Fundo de Capitalização e Resiliência que passou de 28% em 2024 para 98% em 2025. A dotação era de 850 milhões e foi executado 832 milhões. O CEO destaca o “aumento da execução do FdCR de 361 milhões para 832 milhões de euros em apenas 12 meses (pagamentos realizados às empresas), com pipeline para aumentar investimento e necessidade de reforço das verbas”.
O FdCR ajustou a sua dotação global de 1.300 milhões para 850 milhões e aplicou 450 milhões de euros no novo instrumento de garantias FEI MSC, explica o banco.
O número de empresas apoiadas foi multiplicado por sete, passou de 2.400 em 2024 para 16.219 em 2025.
O banco anunciou a mobilização de 450 milhões de verbas do PRR que permite mobilizar 7 mil milhões de financiamento para as empresas.
Sobre os programas de capital do BPF e o impacto nas empresas, Gonçalo Regalado anunciou que foram apoiadas 306 empresas; houve um aumento de 80% dos postos de trabalho ao terem sido criados 5.334 empregos.
Depois geraram 1,7 mil milhões de euros de volume de negócios, um crescimento de 308% das exportações passando o peso das exportações no volume de negócio para 47%. O BPF diz ainda que estes programas de capital apoiaram 11.973 postos de trabalho ao mesmo tempo que permitiram atingir 120 patentes registadas. Permitiram ainda o crescimento de 114% do EBITDA e 181% do volume de negócios.
O investimento total de projetos estruturantes apoiados ascendeu a 3,4 mil milhões de euros.
“Foram 3.400 milhões de euros de projetos apoiados, sempre em modelos sindicados com os bancos comerciais, porque nós não fazemos nada sozinhos, fazemos sempre em parceria”, disse.
O CEO do BPF destacou assim o apoio a três projetos estratégicos de 3,4 mil milhões de euros no primeiro ano. Os 455 milhões investidos no Hospital de Lisboa Oriental com investimento direto do BFA a ascender a 15 milhões.
A Linha da Alta Velocidade (TGV) cujo investimento total no projeto foi de 2.680 milhões de euros. O BPF deu uma garantia de 110 milhões para a primeira fase da linha de Alta Velocidade que ligará o Porto (Camapnhã) a Oiã, tendo sido financiada pelo BEI, BPF, Fundos Europeus e outros bancos comerciais.
Por fim dois data centers que representaram um investimento de 253 milhões do qual o financiamento do BPF foi de 25 milhões. O Campus de Data Centers AtlasEdge em Lisboa implicou um financiamento sindicalizado.
O BPF anunciou operações em pipeline em fase avançada para apoiar projetos no valor de mais de 600 milhões de euros.
Um de mobilidade eléctrica (setor automóvel) que consiste num investimento de 400 milhões de euros. Outro é um projeto de pprodução de motores eléctricos e geradores. O Projeto Storage tem um investimento de 50 milhões que impactará na região centro com a criação de 300 a 400 postos de trabalho.
O terceiro é um projeto de produção de hidrogénio verde com recurso a eletricidade obtida de energia renovável, com 44 milhões de euros de investimento.
Por fim o Projeto de Agribusiness, uma unidade pioneira em Santarém, capaz de transformar Portugal no principal hub europeu de produção contínua de baby carrots. O investimento no total do projeto é de 129 milhões.
Revolução digital
O CEO do BPF passou depois ao que chamou de revolução digital ao serviço das empresas. Aqui falou da implementação de limites de crédito pré-aprovados. Mais de 136 mil empresas com pré-aprovação de garantias do BPF com base num modelo de pré-aprovações.
“Fizemos uma revolução digital e simplificámos a vida dos empresários. Passámos de 49 dias de resposta para 5 dias, passámos de 27 documentos para 5 documentos”, disse.
O banco destacou o Portal Banca que é a plataforma digital do Banco Português de Fomento (BPF) dedicada à interação com as instituições financeiras parceiras para a gestão de linhas de apoio e garantias públicas. No que toca ao “revamp” (modernização) e o seu módulo de contratação houve uma redução de 22 anexos necessários para a contratação em 2024 para cinco anexos em 2025.
A preparação do KYC (Know Your Customer) para o IFIC (Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade) é uma etapa obrigatória e essencial para a avaliação de candidaturas geridas pelo Banco Português de Fomento (BPF). Aqui o banco fala de mais de 5 mil empresas candidatas ao IFIC através do KYK validado através da introdução de novas funcionalidades.
A revitalização do Portal-Banca, especificamente na consulta de limites foi também abordado. “Mais de mil consultas de limites no Portal da Banca com interface melhorada e pré-aprovação verificada em tempo real.
Destaque ainda para a agilização do processo de submissão de candidaturas (menos 49 dias face a 2024 no Portal da Banca).”O SLA médio de 2 dias úteis para a aprovação de propostas pré-aprovadas”, segundo o banco.
Por fim o banco lembrou os laboratórios Fomento Now, que são laboratórios de garantias em implementação, laboratórios de compras e capital em fase de desenho.
Gonçalo Regalado diss ainda que “melhorámos o rigor da nossa carteira e estamos a cuidar daquilo que são os impostos públicos”.
O CEO do BPF garantiu que “a qualidade da carteira dos empresários e das empresas que temos é uma qualidade de excelência”.
No que toca à melhoria do rating médio da carteira de garantia através de pré-aprovações o banco fala do aumento de 3x no peso das garantias em carteira atribuídas a empresas com rating 1 em 10 meses.
Foram enviadas pré-aprovações para mais de 152 mil empresas com mais de 40 mil milhões de euros em financiamento direcionado a empresas com melhores ratings. O BPF destacou ainda a melhoria do rating médio das novas operações contratadas desde abril de 2025 com redução de 11%.
O Banco de Fomento também anunciou que já pagou 37 milhões de euros às empresas elegíveis das 1.040 candidaturas recebidas pelo BPF para as subvenções do Covid, em parceria com os bancos comerciais. Ao mesmo tempo garante que já eliminou toda a litigância herdada.
No que toca a valor em dívida referente a reembolsos aos programas do Portugal 2020, o banco garante que já pagou 42 milhões dos 48 milhões de euros de dívidas ao Portugal 2020 e entregou uma solução a todas as instituições para se regularizarem os restantes seis milhões até ao fim do primeiro trimestre deste ano.
Perspectiva para 2026-2028
Na lista de principais negócios e prioridades estratégicas para 2026-2028 o banco quer ampliar o crédito acessível às PME para viabilizar investimento e acelerar o crescimento. Prevê mais de 30 mil milhões de euros em volume de financiamento mobilizado, com impacto de mais 10% no PIB.
Em subvenções (fundo perdido) o banco quer canalizar para acelerar investimento em áreas estratégicas. São mais de 1,5 mil milhões de euros em volume de subvenções atribuído com impacto de mais de 0,5% no PIB.
Outra prioridade é ao nível do investimento e financiamento. O banco quer financiar projetos estruturantes onde existe necessidade para acelerar o investimento nacional. Mais de 3,6 mil milhões de euros de volume de dívida emitida (co-lending), com impacto de mais 1,2% do PIB.
Em programas de capital o BPF quer mobilizar e co-investir na inovação e crescimento, facilitando o acesso a Equity ou quase-capital para empresas. Prevê mais de 2,5 mil milhões de capital direto nas empresas com impacto acima de 0,8% do PIB.
Todas as medidas terão um impacto no PIB em 2028 de mais 12,5%.
O CEO anunciou novas linhas de garantias em 2026 que mobilizam mais de 20 mil milhões de euros em financiamento para apoiar o investimento.
Uma linha de 1,5 mil milhões de euros para apoiar o investimento nos projetos aprovados do PRR IFIC.
Duas linhas de apoio à reconstrução (de apoio à tesouraria e investimento na reconstrução, no total de 3 mil milhões de euros.
Quatro linhas para apoiar projetos do Portugal 2030, também de 3 mil milhões, com adiantamento de incentivos, subvenções e garantias MLP.
Três linhas do FEI InvestEU com subscrição e aprovação do Member State Compartment, no valor do 7 mil milhões de euros.
Duas linhas para apoiar economias regionais no valor de 500 milhões.
Depois estão previstas 3 linhas para apoiar a habitação acessível (via ELH, IFHRU 2030, PPP) no valor de 4 mil milhões de euros.
Duas linhas para apoiar PME no investimento de curto e médio-longo prazo no valor 2,5 mil milhões.
Uma linha InvestPT para apoiar o investimento e permitir o apoio a instrumentos de curto prazo no valor de mil milhões de euros.
Por fim anunciou duas linhas setoriais para apoiar o investimento em projetos de turismo e agricultura no montante de mil milhões.
Habitação é prioridade
O BPF estabeleceu como prioridade o apoio à construção de habitação. O que inclui ativação de garantias do banco para Câmaras Municipais com estratégias locais de habitação aprovadas com 90% de garantia e 5% a 10% de cap rate que permita maturidade, pricing e segurança no financiamento dos municípios.
Mas também parcerias público-privadas de habitação pública. O que pressupõe a construção de um modelo de garantia para PPP com ativação da capacidade de promoção de habitação pública e gestão em parceria com privados com garantia de 50% e cap-rate de 10% a 20%.
Depois está prevista a criação de um modelo de garantia pública para projetos de Cooperativas de Habitação (associativas, públicas ou privadas) que permita a construção de habitação própria e permanente para a classe média a preços moderados.
O banco revela ainda as linhas BEI Habitação que passa pela ampliação das linhas de funding do BEI para habitação pública com maturidade, pricing e capacidade de impacto na construção e na promoção de nova habitação ou reabilitação.
O BPF pretende também alargar a concessão de garantias públicas ao financiamento de curto prazo, complementando o apoio já existente ao financiamento de médio e longo prazo.O montante alvo são os mil milhões.
O programa de apoio à reconstrução combina instrumentos de garantia, financiamento e fundo perdido.
Isto inclui 2,1 mil milhões de linhas de apoio ao investimento.
Linhas de financiamento com possibilidade de conversão de 10% em fundo perdido (100 milhões) destinada ao apoio urgente ao investimento e ao fundo de maneio. São mil milhões em crédito direto e mais mil milhões em montante garantido.
Para a tesouraria está prevista uma linha de financiamento com garantia destinada a apoiar necessidades imediatas de tesouraria e fundo de maneio decorrentes das tempestades. Na fase 1 são 500 milhões e na fase 2 outros 500 milhões.
Por fim um sistema de incentivos a fundo perdido PRR IFIC 2026 para apoiar investimento com ou sem financiamento, no valor global de 150 milhões.
O montante global do apoio à reconstrução ascende a 3.250 milhões de euros.
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