Cerca de 150 pessoas manifestam-se em Lisboa com apelo ao Governo para “resgatar o futuro”

Cerca de 150 pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa para “resgatar o futuro, não o lucro”, por considerarem “insuficientes” e “insensíveis” as respostas do Governo à crise pandémica da covid-19, inclusive na situação climática, na habitação e no trabalho. “Decidimos convocar esta manifestação para reivindicar uma resposta à crise que lance as bases de um novo […]

Cristina Bernardo

Cerca de 150 pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa para “resgatar o futuro, não o lucro”, por considerarem “insuficientes” e “insensíveis” as respostas do Governo à crise pandémica da covid-19, inclusive na situação climática, na habitação e no trabalho.

“Decidimos convocar esta manifestação para reivindicar uma resposta à crise que lance as bases de um novo tipo de economia, uma economia que ponha as pessoas em primeiro lugar e não os lucros das empresas”, avançou à agência Lusa Daniel Carapau, um dos organizadores da ação de protesto e dirigente da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis.

Com um desfile pelas ruas de Lisboa, desde a Praça José Fontana até ao Rossio, cumprindo com as regras sanitárias, desde o uso de máscara ao distanciamento social, a manifestação contou com a participação de cerca de 40 coletivos associados a vários tipos de lutas, nomeadamente o clima, a habitação, o trabalho, o antirracismo e o feminismo.

“As respostas do Governo são, por enquanto, muito insuficientes, desde logo nos apoios sociais. O Governo diz que vai garantir que as pessoas têm rendimentos, pelo menos no limiar da pobreza, e isso não está ainda garantido que vá acontecer”, disse o dirigente da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, manifestando preocupação que não haja restrições aos despedimentos e alertando que “o desemprego já está a subir muito rapidamente, sobretudo dos trabalhadores precários”.

Mesmo com o país em estado de calamidade devido à evolução da pandemia da covid-19, Daniel Carapau reforçou que “é preciso que as pessoas mostrem que é necessária uma resposta muito mais eficaz por parte do Governo, portanto a maneira mais eficaz de fazer isso é vir para a rua e mostrar o descontentamento”.

Entre as faixas erguidas durante o desfile pelas ruas de Lisboa podia ler-se “resgatar o futuro, acabar com a precariedade”, “estar aqui é um ato político”, “sobrevivência não é utopia”, “vossos lucros, nossos direitos”, “violência policial mata” e “resistência feminista”.

Nem o uso da máscara por todos os participantes fez silenciar o protesto, onde se ouviram frases de ordem: “novo normal, justiça social”, “o nosso abanão é a revolução”, “mudar o sistema, não o clima”, “alarme social, não vamos mais salvar o capital”, “porque esta crise é do patrão, queremos dinheiro para o clima e a habitação”.

Dos cerca de 150 participantes na manifestação, destacou-se a presença dos jovens, em particular na luta pela ação climática.

“A crise climática não parou e é importante lembrar-nos que ela não para, mesmo que nós paremos de pensar nela”, declarou à Lusa João Didelet, de 21 anos, estudante de direito na Universidade de Lisboa.

Relativamente às respostas do Governo à crise pandémica, o jovem considerou que são “insensíveis a todas as circunstâncias e às situações de toda a gente”, explicando que as soluções encontradas colocam todos os cidadãos “num patamar igual, de um ponto de partida igual”, em que todos têm a mesma possibilidade de aderir, mas “isso simplesmente não é verdade”.

“Portanto, não sei se posso dizer que são insuficientes, mas diria que elas não são pensadas para todos, pelo menos de forma compreensiva para todos”, conclui João Didelet.

Do grupo de ativistas da Greve Climática Estudantil, Bianca Castro, de 19 anos, estudante de física na Universidade de Lisboa, disse não ter dúvidas que as respostas do Governo são “insuficientes”.

“Precisamos de um Governo que responda não só a esta crise pandémica, mas também à crise climática, à crise económica e à crise social, que estão todas interligadas”, reivindicou Bianca Castro, defendendo que, para que se continuem a fazer ouvir, “a luta tem, efetivamente, de continuar a ser feita nas ruas, obviamente cumprindo todas as normas de segurança”.

“Estamos aqui para resgatar o futuro, ou seja, por uma economia que tenha a vida no centro e não o lucro no centro, que é o que temos neste momento, está tudo virado para o lucro e não para as pessoas e nós precisamos de uma economia e de uma sociedade que realmente responda às necessidades das pessoas”, afirmou a jovem, protestando em defesa do acesso a bens e serviços essenciais, nomeadamente alimentação, saúde e habitação.

Além da preocupação com o futuro, Bianca Castro referiu que a luta é já pelo presente, porque o que é necessário é “resgatar a vida”.

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