CFP vê economia a encolher 9,3% este ano, antes de recuperar 4,8% em 2021

Conselho das Finanças Públicas está mais pessimista do que o Governo e projeta um tombo do crescimento da economia de 9,3%, que compara com os 6,3% do Executivo. Recuperação graudal a partir do segundo semestre permite, no entanto, alavancar um crescimento que atinja os 4,8% em 2021, impulsionado pelo consumo privado e pelo investimento.

Este é o OE que o país precisa? – Nazaré da Costa Cabral, presidente do Conselho de Finanças Públicas | Cristina Bernardo

O Conselho das Finanças Públicas está mais pessimista do que o Governo para este ano e projeta uma recessão de 9,3%, um agravamento de 1,8 pontos percentuais face ao cenário base apresentado em junho, e acima dos 6,9% previstos pelo Executivo, que já admitiu rever as projeções. Porém, sobre o futuro há convergência.

A instituição presidida por Nazaré da Costa Cabral estima uma recuperação de 4,8%, enquanto o Governo prevê 4,3%. No relatório sobre a evolução das perspetivas económicas e orçamentais para 2020-2024, publicado esta quinta-feira, o CFP – que alerta para a elevada incerteza – diz que “a ausência de mais informação e para as medidas de política consideradas, o presente cenário em políticas invariantes continua a ancorar a recuperação económica para 2021 e 2022 no pressuposto de que o choque negativo transitório é sobretudo do lado da procura e que a recuperação se inicia no segundo semestre de 2020”.

Estima, assim, que o PIB recupere nos dois próximos anos (2,8% em 2022) impulsionado pelo consumo privado e pelo investimento. Apesar de considerar que “as exportações deverão também contribuir significativamente para a retoma da atividade económica”, admite “uma perda de quota de mercado em 2021 e a normalização no sector do turismo apenas em 2022”.

“No médio prazo, na ausência de medidas, o crescimento da atividade económica deverá convergir para valores em torno de 1,7%. Neste cenário, a economia portuguesa recupera o nível do PIB real pré-Covid-19 no início de 2024”, refere.

A explicar a revisão das projeções para o PIB face ao último relatório, o CFP assinala que resulta sobretudo do “forte impacto da pandemia na atividade económica”.

“Não considerando uma repetição de medidas severas de distanciamento social e de restrições adicionais à mobilidade e à atividade económica, as projeções apontam para uma recuperação gradual da economia com início no segundo semestre de 2020, com maior expressão em 2021, embora apenas em 2022 se antecipe uma normalização nas exportações de serviços de turismo”, assinala. “Na parte final do horizonte temporal, assume-se a habitual convergência para o ritmo de crescimento potencial da economia”, acrescenta.

O CFP estima ainda uma taxa de desemprego de 10% este ano, diminuindo para 8,8% em 2021 e 7,8% em 2022.

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