Chega quer que vacinação e certificados digitais sejam “recomendação e não uma obrigação”

Segundo o líder do Chega a obrigatoriedade dos certificados é considerada “inconstitucional”.

André Ventura

O presidente do Chega, André Ventura, defendeu esta terça-feira que a vacinação e os certificados digitais deviam ser “uma recomendação” uma vez que a sua obrigatoriedade poderá “criar uma profunda desigualdade”.

“Nós compreendemos a questão dos certificados das vacinas como acesso aos estabelecimentos e como forma de abertura e o que sempre temos defendido é se for a única solução então que seja, o importante é reabrir a economia, os espaços, o comércio e a restauração”, referiu Ventura depois da reunião dos especialistas do Infarmed com Governo e partidos com representação no Parlamento, esta terça-feira.

Apesar de admitir a existência dos certificados Ventura defende que os certificados digitais não devem ser obrigatórios. “Chamo à atenção que na nossa perspectiva estas medidas quer de vacinação de certificados digitais para acesso aos estabelecimentos deviam ser uma recomendação e não uma obrigação”, afirmou Ventura.

“Vários sectores de atividade já defenderam isto , se não o que estamos a criar é uma profunda desigualdade entre portugueses, entre os que querem tomar vacina e os que não querem por razões das mais variadas . essa desigualdade parece-me não só inconstitucional como profundamente injusta do ponto de vista social”, sublinhou Ventura.

O líder do Chega tem defendido o investimento na economia, comércio e restauração, sendo estas preocupações do partido para o Orçamento do Estado para 2022, como referiu ontem depois da reunião com o Presidente da República.

“Nós precisamos que este dinheiro [do Plano de Recuperação e Resiliência e do Orçamento do Estado] chegue às pequenas empresas, que chegue ao comércio, que chegue ao turismo, à restauração, que chegue aqueles que mais tem sofrido com esta pandemia e que muitas vezes têm sustentado postos de trabalho em condições muito, muito difíceis”, apontou Ventura.

Segundo o líder do Chega, o partido “estará disponível para nenhuma apreciação e para nenhuma validação do Orçamento do Estado que não apoie diretamente estes que têm sido os sectores mais fragilizados da nossa economia

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