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China aumenta tensão com o Japão e proíbe exportação para empresas japonesas do setor militar

O governo da China incluiu 20 empresas japonesas numa lista de controlo de exportação e outras 20 numa uma lista em observação. É a escalada da tensão entre os dois países, depois da vitória da primeira-ministra, cujas declarações sobre Taiwan não agradaram a Pequim.
24 Fevereiro 2026, 13h27

As empresas exportadoras chinesas estão proibidas de vender bens de uso duplo (usados tanto em aplicações civis como militares) para empresas japoneses envolvidas no setor militare, como a Mitsubishi Heavy Industries, a Kawasaki Heavy Industries e a Fujitsu, entre outras. Organizações ou indivíduos estrangeiros também estão proibidos de fornecer este tipo de produção se originários da China para as 20 empresas listadas. “Todas as atividades relacionadas devem cessar imediatamente”, determinou o Ministério do Comércio da China, esta terça-feira.

Uma segunda separada inclui outras 20 empresas japonesas às quais os exportadores chineses são obrigados a enviar pedidos individuais de licença de exportação, com relatórios de avaliação de risco e compromissos por escrito de que os produtos exportados não serão usados para fins militares. Desta segunda lista fazem parte companhias e entidades como a Subaru Corporation, a Mitsubishi Materials Corporation e o Instituto de Ciências de Tóquio.

A medida não afetará “as trocas económicas e comerciais normais entre a China e o Japão”, informou o Ministério do Comércio chinês. “Entidades japonesas honestas e cumpridoras da lei não têm absolutamente nada a temer.”

As relações entre a China e o Japão deterioraram-se depois de a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, ter dito em novembro passado, logo após tomar posse, que o Japão poderia intervir em caso de ataque chinês a Taiwan. A China exigiu de imediato que Takaichi retirasse essas declarações, mas a primeira-ministra não o fez. Posteriormente, Takaichi dissolveu o parlamento (câmara baixa) japonês e convocou eleições antecipadas, nas quais obteve uma vitória esmagadora: o seu partido e a coligação que apoia a primeira-ministra conseguiu uma rara maioria de dois terços – o que lhe permite margem política para colocar em andamento a sua ambiciosa agenda económica e geopolítica.

Sanae Takaichi – que se prepara para viajar para os Estados Unidos – não esconde a sua vontade de fazer parte do círculo mais próximo dos ‘amigos’ do presidente Donald Trump. O que, entre outras coisas, quer dizer que está disponível para alinhar pelos Estados Unidos não sua guerra comercial (mas não só) com a China. A resposta de Pequim, não colher ninguém de surpresa, não se fez esperar.


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