“Ciclo por uma canção”: filmes à volta de canções na Cinemateca Portuguesa

Até 21 de agosto, o verão no nº 39 da rua Barata Salgueiro, em Lisboa, promete ser o rastilho de emoções várias feitas de canções e muito cinema.

Casablanca

É verão e as cigarras já se ouvem nos jardins de Lisboa, apesar de o calor não apertar, mas há canções que irrompem da memória e outras que teimam em nos acompanhar dia fora, noite dentro. Simplesmente porque nos lembram momentos. Um olhar. Um aroma. Um gesto. Uma paisagem. Uma música. You must remember this…

Esta tarde “you must remember this…”. Apresentações para quê? O filme termina quando o avião parte com destino a Lisboa. Passa esta terça-feira às 18h00 na Cinemateca Portuguesa e repete dia 10. Num outro dia, neste mesmo Ciclo por uma Canção, num manifesto absolutamente morettiano, o espetador irá reviver os acordes de “I’m on Fire”, by the Boss,  em  “Palombella Rossa”. Ainda made in America é a canção assombrada de Screamin Jay Hawkins, “I Put a Spell on You”, que habita o filme de culto do cineasta independente Jim Jarmusch “Para Além do Paraíso” (Stranger Than Paradise).

E quem não se lembra do tema “As Tears Goes By”, de Mick Jagger e Keith Richards? Se nunca viu “Made in U.S.A.” de Jean-Luc Godard e Marianne Faithful pela mão do mestre da Nouvelle Vague, marque na agenda e comece a cantarolar o tema. Dificilmente sai do ouvido. Nico e o seu timbre inconfundível arrepiam em “These Days” que Wes Anderson serve aos espetadores num ralenti de “The Royal Tenenbaums”.

E o cortejo prossegue com Tom Waits aos comandos em “One from the Heart” de Francis Ford Coppola e Nick Cave & The Bad Seeds na Berlim dos anjos de Wim Wenders – “From Her to Eternity”. E dos States vamos até Cabo Verde ao ritmo crioulo dos Tubarões em “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa: Labanta braço, se bô grita bô liberdade.

Não poderíamos deixar passar em branco o eletrizante “You Never Can Tell” de Chuck Berry em “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, assim como o feérico “It’s a Man’s Man’s Man’s World”, do inconfundível James Brown, na festa que Chantal Akerman filma em “Portrait d’une Jeune Fille de la Fin des Années 60 à Bruxelles”.

Não sendo exaustivos, pois mais filmes constam deste cardápio estival, fica a referência ao primeiro filme sonoro de Fritz Lang, “M”, de 1933, e ao seu leitmotiv sonoro: Peer Gynt Suite Nº 1, de E. Grieg. E se abrimos com “As Time Goes By”, fechamos com outro tema do cinema clássico, “Over the Rainbow”. Goste-se ou não, ficou imortalizado – e para ela foi composto – na voz de Judy Garland. Someday I’ll wish upon a star…

Consulte toda a programação aqui e aproveite as propostas do Ciclo por uma Canção na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, até dia 21 de agosto. Boa sessão!

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