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Cimeira de Copenhaga: líderes da UE dão “amplo apoio” à ‘muralha de drones’

A Comissão Europeia promete um plano comum para a defesa, que deverá estar pronto em duas semanas, antes de nova cimeira a realizar no final do mês. Já a utilização de ativos russos não mereceu consenso.
2 Outubro 2025, 09h11

Os líderes da União Europeia reunidos em Copenhaga deram “amplo apoio” às propostas de aceleração do desenvolvimento de tecnologia de drones para a criação do que é conhecido como a ‘muralha de drones’. Mas, segundo as agências internacionais, a utilização de ativos russos imobilizados para a criação de um fundo para a Ucrânia não é consensual.

“Os líderes apoiaram amplamente os projetos prioritários iniciais que irão reforçar a segurança da Europa, incluindo a muralha europeia de drones e a vigilância do flanco oriental”, disse o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no final da reunião informal na capital dinamarquesa, Copenhaga.

Antes da reunião, refere a agência Euronews, que se realizou após uma série de violações do espaço aéreo na Polónia, Estónia, Roménia e Dinamarca, a Comissão Europeia publicou um documento de orientação, no qual delineou, entre outras ideias, quatro projetos que considera que devem ser financiados e implementados com urgência: a muralha europeu de drones, uma vigilância do flanco oriental, um escudo de defesa aérea e um escudo espacial de defesa.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que recebeu os seus homólogos europeus, afirmou que as propostas da Comissão Europeia têm um “amplo apoio”. “Precisamos de reforçar a nossa produção de drones, de capacidades antidrone. E isso inclui a construção de uma rede europeia de dimensões antidrone que possa detetar e neutralizar intrusões do exterior. Temos de criar um ecossistema europeu que permita à Europa desenvolver soluções de ponta em matéria de drones, inspiradas no que já está a ser feito na Ucrânia”, acrescentou. Frederiksen insistiu na inexistência de um “conflito entre o Leste e o Oeste”, apesar de o projeto beneficiar o flanco oriental, que está geograficamente mais próximo da Rússia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as violações do espaço aéreo “fazem parte de táticas de guerra híbrida” e “exigem uma reação e uma resposta forte e determinada da Europa”. “Temos de fornecer a mais forte dissuasão em escala e em velocidade. Há um claro sentido de urgência porque a preservação da paz sempre foi uma tarefa fundamental da União Europeia”, acrescentou.

A Comissão deverá apresentar um plano para a defesa dentro de duas semanas, que se baseará nas discussões que os líderes tiveram esta quarta-feira e definirá os objetivos em termos de capacidades, tendo em vista a tomada de decisões numa cimeira formal no final deste mês.

Os líderes europeus também tiveram tempo para se debruçar sobre medidas para reforçar a assistência financeira e militar à Ucrânia, que é vista como intrinsecamente ligada à questão da defesa europeia. “Falámos muito de garantias de segurança para a Ucrânia, mas, de facto, é o contrário: a Ucrânia é hoje a garantia de segurança da Europa. O nosso apoio à Ucrânia é um investimento direto na nossa própria segurança”, afirmou Frederiksen.

Também trocaram impressões sobre a proposta da Comissão de emitir um empréstimo de 140 mil milhões de euros a Kiev com base nos saldos em dinheiro dos ativos congelados da Rússia, a maior parte dos quais se encontra atualmente no Euroclear, uma central de depósito de títulos com sede em Bruxelas.

Embora o projeto tenha merecido um amplo apoio entre os líderes, enfrenta a resistência do primeiro-ministro belga Bart De Wever, que, durante o debate entre os líderes, tomou a palavra e manifestou preocupações de ordem jurídica e técnica.

Uma das questões fundamentais para a Bélgica é a gestão do risco: como é que qualquer eventual problema, incumprimento ou processo judicial seria tratado coletivamente pelo bloco, sem deixar o país, sede da Euroclear, a braços com a situação.

No final da reunião, von der Leyen procurou atenuar as reservas de De Wever. “É absolutamente claro que a Bélgica não pode ser o único Estado-membro a suportar o risco, os riscos têm de ser colocados sobre ombros mais largos”, disse. “Não há apreensão dos ativos”, sublinhou mais uma vez.


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