A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alertou no seu site para a crescente disseminação de recomendações de investimento em grupos de WhatsApp que promovem o investimento em instrumentos financeiros, por parte de entidades não autorizadas, e diz que constituem um meio para concretizar práticas de manipulação de mercado, nomeadamente na tipologia “pump and dump”.
“Esta prática consiste na aquisição prévia de uma posição longa num instrumento financeiro, seguida da difusão de informações falsas ou enganosas de natureza positiva sobre esse instrumento, com vista a inflacionar artificialmente o seu preço. Após o aumento do preço, quem realiza as recomendações aliena rapidamente as suas posições, o que, conjugado com a natureza falsa das informações previamente divulgadas, pode provocar quedas abruptas e perdas significativas para os restantes investidores”, explica o regulador.
“Verifica-se frequentemente que estas recomendações incidem sobre ações com reduzida liquidez, admitidas à negociação em mercados de países fora da União Europeia, acompanhadas de informações falsas ou exageradas com o intuito de incentivar os investidores a comprá-las, muitas das vezes com o sentido de urgência para o fazerem”, explica o regulador dos mercados.
A CMVM alerta que o aumento artificial do preço e do volume de negociação permite que quem faz estas recomendações aliene as suas posições obtendo ganhos significativos, enquanto os investidores que compraram essas ações sofrem perdas significativas.
“Sinais comuns desta atuação incluem mensagens não solicitadas ou comunicações em redes sociais com sugestões de investimento que incentivam à entrada em grupos em aplicações de mensagens, designadamente no WhatsApp; perfis falsos que utilizam indevidamente o nome e imagem de personalidades públicas e/ou entidades supervisionadas (cf. comunicado da CMVM sobre usurpação de identidade); mensagens com aparência técnica mais sofisticada, incluindo gráficos e análises; garantias de rentabilidades muito elevadas em curtos períodos e sem qualquer referência aos riscos incorridos; solicitações de envio de capturas de ecrã das transações executadas; promessas (nunca cumpridas) de reembolso em caso de perdas; e pressões para investir imediatamente, com referência a supostos desenvolvimentos de mercado iminentes”, descreve a CMVM.
A CMVM recomenda especial prudência e aconselha a “duvidar de recomendações de investimento recebidas através de grupos criados e promovidos em redes sociais e de aplicações de mensagens (como, por exemplo, no WhatsApp); a ter presente que se lhe oferecem algo demasiado bom para ser verdade, provavelmente não é verdade; que a utilização de informação privilegiada constitui um crime de mercado e que as rentabilidades passadas não são garantia de ganhos futuros”.
O regulador aconselha ainda as pessoas a confirmarem a veracidade das informações recebidas e a respetiva fonte; e a verificarem sempre se a entidade ou pessoa que envia as recomendações de investimento está autorizada a prestar serviços de investimento em Portugal, consultando as listas destes intermediários financeiros e dos analistas financeiros, ambas disponíveis no site da CMVM.
“A comercialização de instrumentos financeiros só pode ser efetuada por intermediários financeiros devidamente autorizados a prestar serviços de investimento em Portugal ou através de agentes vinculados que os representem (e comunicados à CMVM). Caso suspeite ter sido contactado no âmbito de práticas similares às descritas acima, contacte a CMVM de imediato através da Linha de Apoio ao Investidor 800205339 ou enviando uma mensagem para o e-mail: investidor@cmvm.pt. Pode, de igual modo, apresentar uma denúncia à CMVM através do nosso formulário para denúncias”, detalha a Comissão.
“A CMVM recorda que a utilização indevida de nomes e imagens de pessoas e/ou entidades autorizadas é punível nos termos da lei, sendo que o contacto com a CMVM não substitui a necessidade de efetuar uma denúncia junto das autoridades judiciárias competentes”, acrescenta.
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