Comissão Europeia: “Experiência de Portugal vai ser valiosa para nós. Vai liderar a transição na Europa”

O comissário europeu do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius considera que dada a experiência de Portugal em matérias ambientais, a pasta da presidência do Conselho da UE para o primeiro semestre de 2021 vai ficar em boas mãos. “Estou muito otimista em relação à presidência de Portugal no próximo ano”, afirmou.

Portugal prepara-se para assumir a presidência do Conselho da União Europeia em janeiro de 2021 com um tema relevante para os 27 Estados-Membros no topo da agenda: o rumo para a neutralidade carbónica.

“Estou ansioso pela presidência portuguesa. Sempre fizeram um bom trabalho e agora, que temos muito que fazer. A vossa experiência vai ser valiosa para nós”, foi assim que o comissário europeu do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius, arrancou a sua intervenção no ciclo de debates Europa 2021, por videoconferência, “Europa Verde: Rumo à neutralidade climática 2050”, esta segunda-feira.

“Estou muito otimista em relação à presidência de Portugal no próximo ano”, afirmou. “A Comissão Europeia vai passar o marco em que vamos implementar novas medidas essa é a parte mais entusiasmante. Portugal vai liderar essa transição”, sublinhou, referindo-se ao facto de que a Comissão Europeia espera chegar a acordo, até ao final do próximo ano, com o Conselho e o Parlamento Europeu sobre as novas metas climáticas para 2030.

Tal como a tutela do Ambiente em Portugal, também o responsável desta pasta para a Comissão Europeia tem um plano de ação ambiental para o próximo ano que se assenta em cinco pilares: a economia circular, biodiversidade, as florestas, os solos e poluição. No fundo, a estratégia tem como objetivo criar uma Europa mais verde, mais digital, mais resiliente e socialmente mais justa.

“Queremos criar um uma Europa resiliente e para tal precisamos de um plano robusto e capaz de responder aos desafios do futuro”, referiu, explicando que na agenda da economia circular, para o próximo ano, está o objetivo de incluir princípios mais sustentáveis na legislação que visam reduzir o desperdício, minimizar o impacto ambiental dos produtos durante o seu ciclo de vida e capacitar os consumidores. “Queremos dar ao planeta mais do que aquilo que retiramos dele”, sublinhou o responsável da tutela.

Ao abrigo do Plano Ecológico Europeu (Green New Deal), a Comissão Europeia espera colocar a proteção da biodiversidade como a  prioridade na agenda política global, argumentando que a “natureza é a nossa maior aliada no combate às alterações climáticas. Restaura-la pode significar num contributo enorme nesse combate”, referiu Sinkevičius.

Quanto às florestas, que são vitimizadas pela seca e dos incêndios, “cruciais para proteger a biodiversidade, regular o ciclo da água e absorver o C02”, o comissário europeu indicou que será necessário um “esforço coletivo”, relembrando que “Portugal está coberto de florestas e que tem que enfrenta todos os anos os impactos devastadores dos incêndios”. Assim, a Comissão Europeia (CE) espera desenvolver uma nova estratégia que visa proteger estes locais, tornando-os ideais para a reflorestação, restauração e plantação de mais de três mil milhões de árvores.

Da mesma forma, irá também desenvolver novas políticas contra a exploração agrícola para a produção de produtos como óleo de palma, soja e criação de gado. “Somos grandes consumidores destes produtos. Existe uma economia mundial que conseguiu eliminar estes produtos relacionados à desflorestação. Queremos fazer o mesmo”, afirmou, anunciando que vai ser apresentada uma proposta que visa promover uma alimentação mais sustentável.

Sendo a base da produção destes alimentos, a Comissão Europeia irá também criar uma estratégia para os solos de modo a proteger a sua longevidade e fertilidade. “Queremos aumentar a matéria orgânica nos solos e restaurar os solos degradados”, disse. “Portugal sabe o quão importante é combater a desertificação, por isso vou contar com o vosso apoio nesta matéria. Portugal tem sido um forte aliado da Comissão no que toca à proteção dos solos, e estou ansioso por continuar a trabalhar com vocês”.

O plano de ação contra a poluição, o comissário europeu anunciou que a sua equipa tem estado a trabalhar para melhorar as políticas de poluição das águas, qualidade do ar e emissões industriais. “Significa desenvolver uma estrutura política para monitorizar a poluição e promover soluções inovadoras”, explicou.

“Vão ser seis meses cheios de trabalho mas estamos ansiosos por começar”, finalizou o comissário europeu do Ambiente.

A sustentabilidade ambiental é um dos pilares estratégicos da UE e a recuperação da atual crise pode ser usada como uma oportunidade para avançarmos para a transição urgente e abrangente rumo à sociedade que queremos: uma Europa mais verde, mais digital, mais resiliente e socialmente mais justa.

Este foi o segundo evento de um ciclo de debates organizado pela Representação da Comissão Europeia em Portugal, em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia no primeiro semestre de 2021. Este conjunto de conversas diretas com os protagonistas nacionais e europeus tem como objetivo divulgar as prioridades políticas e envolver a sociedade portuguesa na preparação da quarta Presidência Portuguesa que ocorre de janeiro a junho de 2021.

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