Comissária europeia da Saúde garante que “não haverá uma descida da fasquia da segurança” na aprovação das vacinas contra a Covid-19

Stella Kyriakides participou no primeiro dia da Web Summit, deixando a garantia de que caberá a cada Estado-membro definir quais serão os grupos prioritários nos seus planos de vacinação.

Stella Kyriakides

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, disse nesta quarta-feira, numa sessão da Web Summit, que as vacinas contra a Covid-19 poderão ser aprovadas até ao final do ano pela Agência Europeia do Medicamento, mas deixou também a garantia de que “não haverá uma descida da fasquia da segurança na aprovação para o processo ser mais rápido”.

Segundo a cipriota, entrevistada no painel “Is Covid Stress-Testing the EU?”, a data de aprovação pela União Europeia das várias vacinas que estão a ser desenvolvidas pelas farmacêuticas dependerá do momento em que cada uma seja submetida à Agência Europeia do Medicamento. Ainda assim, deixou claro que “não são as vacinas que salvarão vidas e sim a vacinação”, destacando a importância fulcral do transporte, do armazenamento e da definição dos grupos prioritários.

Admitindo que “algumas vacinas são mais complicadas no que toca ao armzenamento”, numa referência aos 70 graus negativos necessários para manter aquela que está a ser desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech, Stella Kyryakides disse que, no debate sobre se deve ser dada prioridade aos mais vulneráveis ou àqueles que mais depressa podem espalhar a Covid-19, a Comissão Europeia já emitiu as suas indicações, apontando para os trabalhadores da saúde que estão na linha da frente do combate à pandemia, os mais idosos e outros grupos de elevado risco.

No entanto, a comissária europeia deixou claro que cada Estado-membro deverá decidir se deve ter outras prioridades nos planos de vacinação, que serão da sua exclusiva competência, o que não dispensará o máximo de coordenação entre os países da União Europeia. “Temos de ter um sistema que cubra os grupos prioritários para salvar vidas e aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde”, disse a política conservadora cipriota.

Para Stella Kyriakides será necessário que 65 a 70% da população esteja vacinada contra a Covid-19 para que a atividade económica se liberte do impacto dos confinamentos e das restrições à circulação, alertando para que qualquer vacina “não é uma bala mágica”. “Não quer dizer que no dia seguinte possamos esquecer o distanciamento social, as máscaras e a higienização das mãos”, referiu.

Além de “mensagens consistentes, transparentes e confiáveis” no combate à pandemia, a comissária europeia apelou ao aumento da coordenação entre os países da União Europeia no que diz respeito a questões de saúde pública, “para prever e estarmos prontos para crises futuras”.

 

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