Comissões no Multibanco: Deco está “totalmente contra” e avisa que lei proíbe cobrança das operações

Vários banqueiros defenderam a cobrança de comissões nas caixas automáticas, mas a Deco rejeita a ideia. “Se olharmos para o número de balcões que fecharam nos ultimos 10 anos” em consequência do aumento do uso do Multibanco, “isto teve um impacto muito positivo nas contas dos bancos”, aponta a associação de defesa do consumidor.

Cristina Bernardo

A Deco veio a público mostrar-se contra a cobrança de comissões nas caixas automáticas Multibanco. Esta foi a reação da associação de defesa do consumidor depois de vários banqueiros terem defendido a cobrança de comissões.

“Somos totalmente contra qualquer introdução ou alteração à legislação portuguesa que ponha em causa a lei que proíbe a cobrança de encargos pelas instituições de crédito em caixas automáticas, nos casos de levantamento, depósito, ou pagamento de serviços”, disse Vinay Pranjivan da Deco ao Jornal Económico esta quinta-feira, 9 de maio.

“A legislação existe e ela foi feita precisamente no legítimo interesse dos trabalhadores dos serviços financeiros para que pudesse ser introduzida inovação e deslocalização da utilização dos balcões”, afirmou, referindo-se ao decreto-lei nº3/2010 de 5 de janeiro.

“Durante anos foi incentivado a utilização das caixas automáticas por parte de todo o sistema bancário português, no sentido de aliviar o peso que tinha nos custos fixos. Se olharmos para o número de balcões que fecharam nos últimos 10 anos, tudo isto teve um impacto muito positivo nas contas dos bancos”, recordou o economista da Deco.

“Houve incentivo a que os clientes passassem a usar as caixas automáticas, e o Governo na altura entendeu que não era possível cobrar comissões, e foi muito bem feito”, defendeu.

Esta foi a reação da Deco às declarações dos presidentes executivos do BCP, BPI, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco que defenderam na quarta-feira que o multibanco deve ou ser pago ou ter critérios uniformes em toda a zona euro, pois as operações já são cobradas em alguns países da União Europeia.

 

Banqueiros defendem multibanco pago ou critério uniforme na zona euro

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