Comprar em Maio e ficar para o ganho?

Estamos na era do maior ‘Bull market’ da história dos mercados, tanto ao nível da duração como da dimensão dos ganhos.

Andrew Harrer/Bloomberg

O ecossistema de Wall Street também é feito de adágios, uns mais conhecidos, outros nem tanto, tal como as regras de “ouro”, sendo que a subjetividade de alguns encontra um pilar de consistência na estatística, o verdadeiro baluarte da arte de investir.

Um dos mais conhecidos é o “sell in May and go away”, que pretende representar a história do comportamento dos índices norte-americanos entre os meses de Maio e Outubro, altura em que se “regressa”.

Contudo, a estatística tem vindo a ditar que não é bem assim. Pelo menos na última década, os registos de Wall Street nos meses de Verão não são de descartar, especialmente Julho, que é o período de maior valorização nestes seis meses, tanto no curto como no longo prazo, sendo que o mês de Setembro é aquele em que existe maior probabilidade de um final no vermelho.

Enquadrando estes resultados é preciso ter em consideração que estamos na era do maior Bull market da história dos mercados, tanto ao nível da duração como da dimensão dos ganhos, se excluirmos o ‘soluço’ do ano passado com um “flash crash” de poucas semanas, que foi seguido por um “flash rally” que anulou as perdas no ano, dando o mote para um resto do ano que foi, a todos os níveis, fabuloso para os touros.

Ora, continuando no mesmo cenário de Bull market, não será de estranhar que este ano o velho ditado possa não vir a ser a atitude mais correcta, e se o primeiro dia de Maio é um prelúdio para o próximo semestre, então a tendência será ascendente, contudo, isso não significa que seja um trajecto uniforme entre índices e sectores.

Com efeito, a sessão de segunda-feira foi uma repetição do movimento a que temos assistido nos últimos quatro meses, baseado numa rotação de capital que, desta vez, teve como beneficiários os sectores ligados à “reabertura” da economia, como os materiais e industriais, tendo sido acompanhados pelas empresas ligadas à saúde e às energéticas, estas últimas com o melhor desempenho do dia devido à valorização do preço do crude, com o WTI a valer $64 por barril.

Do lado negativo estiveram as tecnológicas, o que empurrou o Nasdaq para a única perda do dia nos índices. Contudo, como tem sido habitual, é provável que esta rotação se inverta, consoante os níveis de avaliação de cada sector, bem como do nível de ruído em redor da inflação, o tema central do momento e que se deverá manter até Outubro, altura em que se poderão registar os primeiros indícios de alterações à política monetária da Fed.

No mercado cambial, destaque para o US dólar que recuou -0,3%, continuando assim a sua trajectória descendente, que teve início no final de Março e levou o EUR/USD dos $1,1726 aos $1,205. Fraqueza essa que ontem deu alento ao ouro para valorizar 1,4%, negociando nos $1,793 por onça, enquanto que o Yen amealhou  0,2% para os 109.10, não havendo no entanto grandes indícios de procura extraordinária de ativos refúgio.

O gráfico de hoje é da BRK.B, o time-frame é mensal.

 

A empresa que tem Warren Buffet como CEO desde 1970, continua com um desempenho fantástico, estando perto de duplicar o valor atingido nos mínimos de 2020.

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