Com a Rússia e a França a pedirem uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aquele órgão deliberativo vai encontrar-se ao início da noite deste sábado – por volta das 21 horas de Lisboa – para um primeiro debate sobre o ataque conjunto de Israel e dos Estados Unidos (também ele membro permanente do Conselho) ao Irão. Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs que os países do bloco se reúnam na próxima segunda-feira para debaterem o tema da segurança comum e as implicações que o ataque militar norte-americano e israelita ao Irão terão no futuro imediato. Mais tarde, a reunião foi antecipada pala este domingo.
É claro para todos que o ataque veio aumentar ainda mais o complexo sistema de segurança do Médio Oriente, o que justifica o encontro desta noite. Os analistas antecipam que os membros do Conselho vão insistir com os Estados Unidos para que a intervenção seja o mais possível limitada e acaba muito rapidamente. Mas não é claro que os Estados Unidos venham a fazer a vontade aos restantes membros do Conselho – uma vez que o presidente Donald Trump disse pretender resolver o problema do Irão de uma vez por todas, no que é fortemente apoiado por Israel.
Ora, não será com certeza com os raids desta manhã que a dupla atacante vai alcançar aquilo que se propõe. De qualquer modo, um dos pontos defendidos pelos Estados Unidos e por Israel – a mudança de regime – não surgirá com certeza da intervenção deste sábado. Falta ainda perceber-se até que ponto a intervenção militar foi eficaz em termos de atingir de forma profunda o complexo militar nuclear iraniano. O que fica claro é que a intervenção de junho passado, que tinha exatamente este mesmo propósito e que foi apresentada como definitiva, não terá, afinal, atingido os seus objetivos.
De qualquer modo, desta vez os ataques parecem ir no sentido da destruição do poder bélico iraniano – e não apenas do complexo militar. Aparentemente, os ataques também terão visado a cúpula do poder: há indicações de que as proximidades do lugar onde o aiatolá Khamenei costuma viver foi alvo das armas.
Entretanto, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos condenou os ataques e respetiva retaliação, lembrando que, como em qualquer conflito armado, serão os civis que pagarão o preço mais elevado. “As bombas e os mísseis não são a forma de resolver as diferenças, apenas causam morte, destruição e sofrimento humano”, alertou Volker Türk numa mensagem publicada nas redes sociais. O responsável das Nações Unidas pediu moderação para evitar mais danos à população e implorou a todas as partes para que “ajam com bom senso, reduzam a tensão e regressem à mesa das negociações, onde, poucas horas antes, procuravam ativamente uma solução” para a questão do programa nuclear iraniano. “Esta é a única forma de resolver as profundas diferenças existentes, de forma duradoura”, sublinhou o alto-comissário. Caso contrário, alertou, corre-se o risco de “um conflito ainda maior, que levará inevitavelmente a mais mortes de civis sem sentido e a destruição a uma escala potencialmente inimaginável, não só no Irão, mas em toda a região do Médio Oriente”. Türk lembrou ainda que o Direito internacional considera que a proteção de civis em conflitos armados deve ser prioritária. “Todos os atores envolvidos devem garantir o cumprimento destas normas, e a sua violação deve levar à responsabilização dos culpados”, sublinhou.
A Alemanha, a França e o Reino Unido condenaram os ataques do Irão contra países do Médio Oriente, lançados em retaliação pelos bombardeamentos que tem sofrido por parte de Estados Unidos e Israel. Num comunicado conjunto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes dos governos alemão, Friedrich Merz, e britânico, Keir Starmer, afirmaram que os respetivos países não participaram nos ataques das forças norte-americanas e israelitas.
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