Depois do primeiro impacto do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, o Estado teocrático já respondeu, atacando as bases militares norte-americana no Médio Oriente e lançado uma ‘chuva’ de mísseis sobre Israel. Neste momento, a vaga de ataques sobre Israel vai já na sua segunda réplica – ou seja, já houve três vagas de ataque ao Estado hebraico. O Bahrein anunciou que uma base norte-americana no país foi atingida num “ataque com mísseis”, tendo-se também ouvido explosões na capital. “Um centro de serviços da Quinta Frota [dos EUA] foi alvo de um ataque com mísseis”, avançou a agência noticiosa oficial do Bahrein, a BNA.
A Quinta Frota é o contingente naval dos Estados Unidos destacado no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no Mar Arábico. O ataque foi realizado pelo Irão e, de acordo com a rádio estatal iraniana, a IRIB, tratou-se da primeira resposta à operação conjunta EUA-Israel contra os seus centros de poder em Teerão e noutras partes do país.
Foram também ouvidas explosões na capital do Qatar, Doha, mas num primeiro momento pode estar também a acontecer um ataque do Irão. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que a resposta do país seria atacar todas as bases militares norte-americanas na região, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Iraque. Os ataques podem estar a estender-se as várias bases norte-americanas no Kuwait e Emirados Árabes Unidos, para além do Qatar e do Bahrein. Quatro pessoas morreram e várias outras ficaram feridas quando um míssil iraniano atingiu um prédio na cidade de Sweida, no sul da Síria, informou a agência de notícias estatal SANA. Outros destroços de mísseis caíram na cidade de Quneitra e na bacia de Yarmouk, na província de Daraa, no sul da Síria,
Vários mísseis atingiram a Rua da Universidade e a área de Jomhouri em Teerão, e as proximidades do quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, informou a agência de notícias Fars. A Associated Press informou que um ataque na capital do Irão ocorreu perto das instalações do aiatolá Ali Khamenei. A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que explosões também ocorreram na área de Seyyed Khandan, ao norte de Teerão. Também foram relatadas explosões nas cidades de Kermanshah, Qom, Tabriz, Isfahan, Ilam e Karaj, bem como na província de Lorestan.
As autoridades do Irão anunciaram a morte de pelo menos 40 pessoas na sequência do bombardeamento de Israel contra uma escola na província de Hormozgán, no sul do país, que provocou ainda 48 feridos. A escola foi atingida, segundo Teerão, no contexto da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos. O mais recente balanço divulgado pela radiotelevisão pública iraniana, IRIB, não especifica um número exato, embora, numa estimativa anterior, o governador do condado de Minab tenha apontado para pelo menos 24 alunas mortas. A IRIB identifica os feridos como estudantes da escola primária Shajare Tayebé, onde se encontravam cerca de 170 alunas, sem que o Exército de Israel se tenha pronunciado até ao momento sobre estas acusações.
“Nos ataques de hoje do regime sionista contra a cidade de Minab, uma escola primária de raparigas foi atingida de forma direta e, até ao momento, há cerca de 40 mortes”, anunciou o vice-governador da província meridional de Hormozgan, Ahmad Nafisi. Segundo o vice-governador de Hormozgan, as equipas de socorro encontram-se no local a prestar assistência às estudantes e a realizar trabalhos de remoção de escombros.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o seu país iniciou “grandes operações de combate no Irão” e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo “eliminar uma ameaça existencial representada” pelo regime iraniano.
Por outro lado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o início de uma primeira vaga de ataques com mísseis e drones contra Israel, em retaliação a operações aéreas das forças israelitas e norte-americanas contra o Irão. “Começou a primeira vaga de amplos ataques com mísseis e drones da República Islâmica do Irão em direção aos territórios ocupados”, disse a Guarda Revolucionária num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
As sirenes antiaéreas foram acionadas em Jerusalém e noutros pontos do centro de Israel, pouco depois de os Estados Unidos e as forças israelitas terem lançado uma série de operações aéreas contra diversos alvos no Irão. O exército israelita anunciou um “reforço significativo” das suas forças militares em todas as frentes, após o início do ataque ao Irão. A direção das operações “começou um reforço em grande escala das forças terrestres em todos os setores e comandos regionais [uma zona que abrange Israel e os Territórios Palestinos Ocupados], bem como o reforço e a mobilização das forças especiais, no âmbito do reforço do nível de preparação para vários cenários ofensivos e defensivos”, declarou o exército num comunicado. “Além disso, reforços importantes serão destacados para a Força Aérea e a Marinha, paralelamente ao reforço de todos os dispositivos de poder de fogo”, acrescentou, sem avançar quantos reforços foram chamados.
Entretanto, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, tem falado sobre os ataques ao Irão e conversou com o ministro das Relações Exteriores de Israel, bem como com outros líderes regionais. “Os últimos acontecimentos no Oriente Médio são perigosos. O regime do Irão matou milhares de pessoas. Os seus programas de mísseis balísticos e nuclear, juntamente com o apoio a grupos terroristas, representam uma séria ameaça à segurança global.” Os presidente da Comissão Europeia e do Conselho Europeu expressaram “grande preocupação” após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, apelando à “máxima contenção” e à salvaguarda da segurança regional e nuclear.
“Os desenvolvimentos no Irão são motivo de grande preocupação. Mantemo-nos em estreito contacto com os nossos parceiros na região. Reiteramos o nosso firme compromisso com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regionais”, defenderam Ursula von der Leyen e António Costa, num comunicado conjunto sobre os acontecimentos no Irão. “Garantir a segurança nuclear e evitar quaisquer ações que possam agravar ainda mais as tensões ou comprometer o regime global de não-proliferação é de importância crítica”, sublinharam.
A mesma nota informativa recordou que a União Europeia (UE) aprovou sanções extensivas em resposta às ações do regime do Irão e da Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, tendo promovido de forma consistente esforços diplomáticos destinados a abordar os programas nuclear e balístico através de uma solução negociada. Von der Leyen e Costa adiantaram que estão a trabalhar “em estreita coordenação com os Estados-membros da UE”, pelo que os 27 tomarão “todas as medidas necessárias” para assegurar que os cidadãos europeus na região possam contar com o “pleno apoio” de Bruxelas. “Apelamos a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem plenamente o direito internacional”, frisaram ainda os dois responsáveis do bloco europeu.
A UE adotou sanções rigorosas contra o Irão e apoiou soluções diplomáticas, inclusive na questão nuclear. A UE também está a coordenar com os parceiros árabes a possibilidade de explorar caminhos diplomáticos para a resolução da crise. A proteção de civis e o direito internacional humanitário são a prioridade. “A nossa missão naval Aspides permanece em alerta máximo no Mar Vermelho e está pronta para ajudar a manter o corredor marítimo aberto.”
Líder supremo do Irão foi alvo de ataque
Um oficial israelita afirmou que o líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foram alvos de ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel. Os resultados dos ataques ainda não estão claros, disse o oficial. O ministro das Relações Exteriores do Irã0, Abbas Araqchi, estará também em segurança.
Uma fonte citada pela agência Reuters afirma que, no entanto, Khamenei não estava em Teerão e havia sido transferido para um local seguro. De qualquer modo, vários altos comandantes da Guarda Revolucionária e autoridades políticas de relevo foram mortos nos ataques.
Entretanto, os Emirados Árabes Unidos declararam ter intercetado mísseis iranianos e afirmaram reservar-se o direito de responder a qualquer ataque, enquanto o Kuwait também intercetou mísseis no espaço aéreo do país. Os Emirados Árabes Unidos “foram alvo de um ataque manifesto com mísseis balísticos iranianos. As defesas aéreas dos Emirados reagiram com grande eficácia e conseguiram intercetar vários desses mísseis”, indicaram as autoridades em comunicado. Abu Dhabi acrescentou que “se reserva plenamente o direito de responder”, denunciando “uma escalada perigosa”.
O chefe do Estado-Maior do Kuwait, por seu lado, indicou que “os sistemas de defesa aérea assumiram o controlo dos mísseis detetados no espaço aéreo”. Habitantes de Abu Dhabi disseram à France Presse ter ouvido fortes explosões na capital dos EAU, que abriga uma base norte-americana, depois de Estados Unidos e Israel terem anunciado ataques ao Irão, que prometeu retaliar.
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