Contas públicas de Cabo Verde com défice de 3,6% do PIB até maio

As contas públicas de Cabo Verde registaram um défice superior a 6.347 milhões de escudos (57,8 milhões de euros) até maio, equivalente a 3,6% do PIB estimado para 2021, segundo dados do Ministério das Finanças.

Rodrigo Antunes / Lusa

De acordo com o relatório síntese da execução orçamental até maio, a que a Lusa teve hoje acesso, este desempenho continuou a ser condicionado pelas consequências económicas da pandemia de covid-19, com quebras nas receitas totais de quase 11,8% e o aumento de 4,2% nas despesas, face ao mesmo mês de 2020.

O défice de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nos cinco primeiros meses do ano compara com o défice de 2,1% até ao mesmo mês de 2020, então equivalente a 3.824 milhões de escudos (34,8 milhões de euros), segundo os dados do relatório.

De abril para maio deste ano, o défice das contas públicas cresceu de 3,3% para 3,6% do PIB, traduzindo-se num aumento nominal de 619 milhões de escudos (5,6 milhões de euros) no espaço de um mês.

Segundo previsão anterior do Governo, o défice das finanças públicas de Cabo Verde deverá ascender a 8,8% do PIB em 2021, ainda fortemente influenciado pela crise sanitária e económica provocada pela pandemia.

Cabo Verde terminou 2020 com um défice das contas públicas equivalente a 9,1% do PIB, aumentando face aos 1,8% de 2019 e invertendo a tendência decrescente dos últimos seis anos, segundo dados anteriores do banco central.

O agravamento do défice das contas públicas é explicado pela pandemia de covid-19, nomeadamente as consequências económicas, que levaram à paragem praticamente total do turismo, que garante 25% do PIB do país.

Contudo, este resultado ficou abaixo da pior previsão do Governo para o desempenho de 2020, que apontava para um défice histórico nas finanças públicas cabo-verdianas de 11,4% do PIB – abaixo do pico de 10,3% em 2012 -, mas refletindo uma forte diminuição das receitas públicas.

Nos últimos dez anos, o saldo das contas públicas (anual) de Cabo Verde foi sempre deficitário, com picos em 2012 (-10,3% do PIB) e 2013 (-9,3% do PIB), descendo até ao mínimo de -1,8% do PIB em 2019, antes da crise provocada pela pandemia.

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